São Sebastião
Polícia investiga se corpo encontrado é de adolescente desaparecido
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A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) iniciou uma investigação para confirmar se um corpo encontrado em avançado estado de decomposição, na última sexta-feira (17), pertence a um adolescente de 17 anos. O cadáver foi localizado no canteiro de obras de uma igreja em São Sebastião. O jovem em questão está desaparecido desde o último dia 9, gerando angústia e mobilização entre familiares e amigos na região.
Embora a identificação oficial ainda dependa de perícia técnica, a família acredita que se trata de Samuel Coutinho Ferreira. O principal indício levantado pelos parentes é que as vestimentas e os calçados encontrados no corpo coincidem exatamente com o que o jovem usava no dia em que foi visto pela última vez. Diante da forte suspeita, a família já deu início a uma vaquinha virtual para custear as despesas do sepultamento.
O delegado Ronney Matsui, da 30ª Delegacia de Polícia, responsável pelo caso, mantém uma postura cautelosa sobre a identidade da vítima. Segundo o investigador, o estado de degradação do corpo impede uma confirmação visual imediata. A corporação aguarda o resultado de exames específicos, como o de corpo de delito e a necropapiloscopia — técnica que utiliza as impressões digitais para identificação de cadáveres.
Apesar da semelhança nas roupas, as autoridades reforçam que apenas os laudos científicos podem oferecer a convicção necessária para o encerramento da busca formal. O caso segue sob sigilo parcial enquanto os peritos trabalham no Instituto de Medicina Legal (IML). Enquanto isso, o clima entre os familiares é de indignação e luto precoce pela perda do adolescente.
O pai de Samuel, Jailson dos Santos, manifestou publicamente sua insatisfação com o andamento das investigações. Segundo ele, as informações sobre o paradeiro e o achado do corpo chegaram à família por meio de terceiros, e não por canais oficiais da Polícia Civil. “Quando é filho de pobre, a história é diferente”, desabafou Jailson, sugerindo negligência no tratamento do caso.
O desaparecimento de Samuel ocorreu após ele informar ao pai que sairia para visitar amigos durante a noite. Na manhã seguinte, Jailson estranhou a ausência do filho ao tentar chamá-lo para um treino de tênis, atividade que o jovem frequentava regularmente. A preocupação se transformou em desespero por volta das 11h, quando ficou claro que o adolescente não havia retornado para casa.
Desde o sumiço, a própria família assumiu o protagonismo nas buscas pela região de São Sebastião. Por conta própria, o pai do jovem conseguiu acesso a imagens de câmeras de segurança que registraram os últimos passos conhecidos de Samuel. Os vídeos mostram o adolescente caminhando por uma rua da cidade na madrugada do dia 10, acompanhado por outras duas pessoas ainda não identificadas.
A presença dessas duas pessoas nas imagens é um dos pontos cruciais que a Polícia Civil deve apurar para entender o que aconteceu entre a madrugada do desaparecimento e a descoberta do corpo. A investigação busca agora identificar esses acompanhantes e reconstruir o trajeto feito pelo grupo para determinar se houve crime e qual seria a motivação.
A comunidade local tem acompanhado o caso comovida, especialmente pela dedicação da família em encontrar respostas. A vaquinha organizada para o enterro reflete não apenas a dificuldade financeira, mas a aceitação dolorosa de que as chances de encontrar Samuel vivo são quase inexistentes. A mobilização serve também como um pedido de justiça por parte dos moradores.
Até o momento, a PCDF não deu um prazo exato para a liberação dos laudos periciais. O desfecho do caso depende agora do trabalho técnico no IML, que confirmará se Samuel Coutinho Ferreira é, de fato, a vítima encontrada na construção. Enquanto a ciência não traz o veredito, a família permanece no aguardo de um posicionamento oficial e mais humanizado por parte das autoridades de segurança do DF.