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Polarização nas urnas

Política provoca choro antes do direito de rir

Publicado

Autor/Imagem:
Wenceslau Araújo - Foto Editoria de Artes/IA

Disposto a me afastar da chatice e da mesmice dos políticos brasileiros, me impus um período sabático. É uma pausa planejada e com conotações de revolta pela falta de reação do povo que sofreu, sofre e pretende sofrer mais quatro anos nas mãos da direita retrógrada, intolerante e agressiva. Me faz lembrar uma frase de um dos maiores líderes do século XX, Martin Luther King: “O que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio e a indiferença dos bons”. Como quero distância desses, estou reassumindo a positividade do meu negativismo. Coisas de um coração louco e cansado do besteirol dos políticos.

Por isso, consciente de que rir de tudo é coisa dos tontos, mas não rir de nada é coisa de estúpidos, estou voltando às origens anedóticas. Na verdade, é só a pressa de rir de tudo, como medo de ser obrigado a chorar depois das eleições de outubro. Com o objetivo de ter alguma coisa para rir quando estiver velho, desde cedo aprendi a rir das dificuldades alheias. Por exemplo, rio de mim mesmo quando me reconheço em meus personagens. Afinal, um dia sem rir é um dia desperdiçado.

Apesar da ojeriza temporária dos políticos (não da política), tenho me cuidado para não rir de atos humanos, tampouco desprezá-los. O que tenho feito é tentar compreendê-los. Difícil. Quase impossível em se tratando de pessoas ou grupos que se dizem especialistas ou catedráticos em política, mas não se espantam com tanta corrupção no país. Ainda que temporariamente, desisti de falar, de ouvir e escrever sobre a politicagem quando fui preso por me confundirem com um dos atuais políticos do Brasil varonil.

Sacanagem, pois o que eu estava fazendo era ficar sentado no meio fio sem fazer nada. Por enquanto, tudo está saindo exatamente como eu não planejei. Viver enfurnado na política por três ou quatro décadas e fugir dela como um coiote é a mesma coisa que estar bem perto da parte pélvica feminina, isto é, ali bem perto do caminho da perdição, e ser convencido de que Donald Trump e Jair Bolsonaro merecem ser “comprados” politicamente no máximo por dois paus: um indo e outro voltando.

Não sei se vai dar certo esse afastamento sabático. O que sei é que errado já está dando. Estou ardendo por dentro pela dificuldade de mostrar ao candidato da direita à Presidência da República que é preciso chorar para descobrir a delícia de sorrir. Mesmo à distância, tenho de informá-lo que, depois da primeira mentira, toda verdade vira uma dúvida. Meu caro candidato, quando cair, levante-se, pois não dá para andar deitado. Pode ficar tranquilo, porque tudo passa, nem que seja por cima de você.

Caso sua vida esteja com gosto e cheiro de limão, adicione tequila e sal, peça um torresmo e vá se embora para fora do Brasil. Ironia à parte, o que busco é uma boa forma de melhorar o humor. Como a vida é curta, quero sorrir, sorrir e sorrir enquanto tenho dentes. Torcendo para que o povo deixe de confundir pistola com epístola, estou em um relacionamento sério com minha cama. Ela me entende, me abraça e não pergunta se meu voto é no 13 ou no 22. Melhor ainda é meu pet Thor. Segundo ele, o segundo melhor ser vivo deste planeta sou eu. O primeiro é o próprio. Querem coisa melhor do que a certeza de que, sem política, eu não faço papel de trouxa.

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Wenceslau Araújo é Editor-Chefe de Notibras

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