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Regurgitando os extremos

Políticos de direita e esquerda germinam como um grupo insano

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Autor/Imagem:
Misael Igreja - Foto Editoria de Imagens/IA

Seja à direita, à esquerda, no futebol, na família e, sobretudo, na política, a luta pelo poder resulta em insanidade. Antes disso, porém, ela geralmente reflete ambição, corrupção moral ou a “caçada” implacável por controle, destacando consequências negativas, entre elas o risco de sacrificar valores em nome da autoridade.  Considerando que essa busca desenfreada facilmente transforma em corruptos cidadãos de bem, não é exagero afirmar que ocupar-se da força é perigoso, pois quem persegue o poder raramente o usa para o bem. É como diz o pensador: “Quem faz tudo pelo dinheiro e pelo poder logo se corromperá”.

Me valendo de todo o aprendizado espiritual, posso (talvez deva) me convencer de que a máxima de Santo Agostinho precisa ser aplicada aos homens e mulheres que participaram do insensato e gratuito levante contra a Praça dos Três Poderes no dia 8 de janeiro de 2023. Conforme Santo Agostinho, deve-se abominar o pecado, não o pecador, um ser humano como nós. Seria o caso de repudiar e condenar o crime e não quem, por infelicidade, dever cívico, necessidade fisiológica ou vontade de agradar a mitos, praticou o delito.

Do ponto de vista cristão, a tarefa não é tão difícil. Sendo assim, o normal é aceitar com a exigida tranquilidade a redução das penas para os condenados pelo Supremo Tribunal Federal, concordando com a tese derrotada de que as condenações foram exageradas. O problema é engolir e obrigar, como querem os patriotas, seus mentores e seus seguidores, que o povo honesto e ordeiro passe a ver os atos de vandalismos como um piquenique convocado de última hora apenas para se manifestar favoravelmente ao então derrotado. Não foi e jamais será.  A corrida cega pelo controle pode ser tudo, menos inocente.

Até os mais sábios falham no equilíbrio, mas não se equivocam. Quem, como eu, viveu e se preocupou com o desfecho daquele domingo ensolarado, não se cansa de procurar uma única razão física para explicar aquele amontoado de pessoas tentando mostrar ao presidente eleito e a duas ou três autoridades constituídas o quão fácil seria derrubar a democracia. Por pouco não conseguiram. Como reprise de um filme antigo, se conseguissem levariam décadas para convocar uma nova eleição para a Presidência da República. Parafraseando a metáfora do filósofo alemão Arthur Schopenhauer, digo hoje, sem margem alguma de erro que, da mesma forma que a riqueza, o poder é como a água do mar: quanto mais bebemos, mais sede temos.

Mote gerador desta narrativa, o episódio que ficou, nacional e mundialmente, conhecido como tentativa de golpe, me impõe alguns questionamentos de complicadas e, às vezes, inaceitáveis respostas. Por exemplo, por que, indistintamente, o ser humano procura sempre ter o melhor para ele? Como não tenho vocação para a hipocrisia, eu me incluo na lista dos que normalmente desejam o melhor status, o melhor conforto, as melhores coisas, os melhores prazeres e, se possível, se manter ao lado de pessoas que geram mais valor. Portanto, posso ser um dos brasileiros loucos pelo poder. Se alguém me avalia desse modo, assumo.

O que me difere da maioria que pensa assim é o respeito que tenho pelo semelhante. Com alguns lampejos doutrinários, posso até deixar de abominar o pecador e me manter abominando somente o pecado. O que nunca me permitirei é a naturalidade dos monges. Não há hipótese de aceitar como algo comum na política partidária a forma oportunista usada pela súcia liderada por Davi Alcolumbre (União-AP) para ludibriar o povo e derrotar duplamente um presidente eleito e, por extensão, o país. Sou a favor da alternância de poder, desde que ela ocorra exclusivamente por meio do voto. Se os conservadores acham que Lula da Silva é a causa de todas as mazelas do Brasil, aguardemos as consequências caso eles vençam as eleições de outubro.

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Misael Igreja é analista de Notibras para assuntos políticos, econômicos e sociais

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