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Palavra inventada

PORTUÍNAS

Publicado

Autor/Imagem:
Gilberto Motta - Texto e Foto

Portuínas,

A poesia, tal como a entendo, é inútil

Para que terei então chegado até aqui?

Estradas na areia esquecerão as palavras que ouso

Como a folha de tua memória queimará

As passadas letras esculpidas

Portuínas,

De rios breves que secam planícies

De um imaginário país inatingível

Cuja lembrança aprisiono em meu pensamento

Uma secreta claridade se desprende

Dos dedos reumáticos e lentos

E nos arbustos, ruídos de passos

Só o atento observador de astros

Não se distrai

Da nebulosa que se desprendeu

Portuínas,

Quantos esforços involuntários a palavra perpetuou

Deixando pegadas na areia, nas sombras

Do vulto que anda, caminha, desanda

E nem em poema te reconstituo, Portunínas!

Quem tomará a sério a palavra de um distraído

Inventor de silêncios

A verdade, a mentira, o desgosto, a humana ilusão

O segundo da vertigem, as transitórias miragens

Romãs frescas desprezadas

Por desbotados girassóis

Portuínas,

Tudo me transmuta na ambiguidade

Do asfalto que rasga

A infinita paisagem

Permanecerei em movimento perpétuo

Antes de eu me descobrir em direção

A absolutamente nada

Portuínas,

Peço ao menos que o decisivo instante

De coisa alguma, interpretações

Teime generosamente em nos guiar

De mãos dadas e asas bem abertas

Pelas estradas desse teu país imaginário

…………..

*Potuínas: palavra inventada por Sofia, aos cinco anos de idade (2003), para denominar o “mundo mágico dos castelos de areia” que ela cresceu construindo ao meu lado.

** Gilberto Motta é escritor, jornalista e professor/pesquisador. Vive num mundo parecido com Portuínas, na Guarda do Embaú, litoral de SC.

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