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Recado das urnas

Povo começa a entender título eleitoral como arma contra os corruptos

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Autor/Imagem:
Arimathéia Martins - Foto Editoria de Artes/IA

Em ano eleitoral acontece um fenômeno interessante, mas abusivo, estranha e visceralmente repetitivo: os políticos se lembram de tudo que não fizeram. O problema é quem elege. Infelizmente, o povo, temporiamente de eleitor, se esquece de tudo pelo que passou. Por mais questionável e embaraçosa que possa parecer, a conclusão é simples: é pífio, desconexo e falso o clichê oficial, oficioso e, às vezes, malicioso de que o título eleitoral é uma arma contra a corrupção. Com todo respeito aos que votam errado, mas é exatamente por meio dele que nascem os corruptos.

Eleitor comprometido não vota em aventureiros. Em resumo, é a falta de consciência a principal responsável por eventuais resultados indesejados. Em sua maioria, o eleitor vota com a inteligência travada. É justamente esse travamento que garante à vigarice política manter o país sedado, enquanto seus representantes fazem o que bem entendem em benefício próprio. Nesse grupo de votantes estão aqueles que amam afirmar que sonham com o fim da corrupção. Entretanto, por qualquer sinalização vantajosa, não se acanham em defender um ou vários políticos corruptos.

A partir de uma pesquisa pessoal e desprovida de critérios técnicos e científicos, concluí informalmente que 70% da população acham os políticos corruptos, 20% têm certeza disso e 10% supostamente recebem vantagens pecuniárias ou empregatícias para se calarem durante as pesquisas de intenção de votos. Não sei onde estão os que agem dessa forma, mas gostaria de um té-te-à té-te com cada um deles para informá-los que eleger quem compra voto é pedir para sofrer quatro anos sem direito a reclamar.

Sobre a consulta autoral, posso estar exagerando, mas, até que me provem o contrário, fecho com meus botões. São os tais eleitores que, hipócrita e patrioticamente, falam de Deus acima de tudo e de todos, mas publicamente apoiam os políticos e ideólogos que aprovam o uso indiscriminado de armas de fogo, os golpes em nome do poder e arbitrárias e descontroladas matanças de inocentes. Esses são os venerados, os mitos, os deuses da política nacional e mundial.

Ainda chegará o dia em que até mesmo os mais leigos perceberão que, em épocas eleitorais, o mais comum é encontrarmos diabinhos distribuindo santinhos. É nesse período de campanha que os candidatos ficam conhecidos. A prova dos nove o eleitorado só conhece após o placar das eleições, quando passamos a conhecer verdadeiramente os eleitos. Sintetizando, é depois do fechamento das urnas que alcançamos a diferença prática entre um ladrão e um político: O primeiro não foi eleito por ninguém.

Não estou inventando nada para macular a honra das atuais e futuras excelências. Os fatos falam diariamente por si. Portanto, a conclusão mais óbvia parece ser aquela que muitos de nós preferem não saber: Não é a política que faz o candidato virar ladrão. É o nosso voto que faz o ladrão virar político. Está dado o recado. Ponto final.

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