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Brasil

Povo precisa gritar que está na hora de parar

Paulo Cannabrava Filho/Diálogos do Sul

Uma rápida vista pelos jornais dá a impressão de que já começa a se generalizar a percepção de que está tudo errado neste país. É preciso mudar, mas ainda falta a percepção exata do que é preciso mudar e o que colocar no lugar.

Atualmente, todos são monotemáticos. Antes teríamos que ler pelo menos cinco jornais. Algum jornal do Rio, de Brasília, São Paulo, algum jornal ou revista especializado em economia. Hoje com dois jornais, sendo um especializado em economia, você já se satura de mesmice.

O tema na mídia corporativa são as pesquisas da XP/Ipespe. Olhando-as de baixo pra cima, só 28% acham que a economia está no caminho certo, e outros 16% não sabem ou preferiram calar. Como só menos de 5% da população se beneficia da política economia em vigor, na realidade uma ditadura do capital financeiro, a situação é ainda bastante grave. Mas, se 57% desaprovam, já é algo.

O problema é saber se as coisas estão caminhando por uma percepção consciente da realidade ou pelo desespero provocado por se ver no abandono frente a devastadora pandemia que paralisou a economia e a cada dia que passa mata mais gente.

O que demonstra que essa percepção é fruto mais do desespero diante do desemprego do que da adoção de uma política econômica equivocada, é consequência da mídia corporativa que não esclarece os fatos. Dá os fatos como se tivessem surgido do nada. São impotentes diante da necessidade de criticar o Paulo Guedes.

Desemprego no Brasil real
Vejamos a realidade. O país em recessão há uma década, jogou na rua da amargura 40 milhões de trabalhadores. Agora, com as atividades paralisadas pela necessidade de proteger a população de um vírus mortal, já são 50 mil processos na Justiça do Trabalho de gente que foi demitida sem receber os valores a que tem direito: aviso prévio, férias vencidas, o 13º e a multa de 40% para o FGTS. Veja bem.

Esses desempregados estão na estatística porque estavam formalizados. E os trabalhadores informais despedidos? quantos são? No meu bairro tem gente que despediu a empregada doméstica sem pagar um centavo e sem motivo algum, alegando que não quer ser contaminada. Falta total de humanidade, tratando-se de gente de alto poder aquisitivo que circula em seus carrões.

Agora, a razão alegada pelos patrões das pequenas e médias empresas e negócios é, obviamente, o fato de estar parado e sem recursos para pagar. E é verdade. É verdade principalmente para pequenas e médias empresas, para os pequenos negócios, serviços de atendimento pessoal e outros. É por causa disso que em países civilizados o governo está arcando com o salário das empresas sem condições de manter o emprego. É de justiça.

No ritmo em que está evoluindo o número de despedidos por conta da pandemia, logo serão outros milhões nas filas do desemprego e do desamparo. Será que conseguirão sustentar a família com os 600 reais que o governo se dispõe a dar?

Se o governo estivesse cumprindo com a obrigação de atender a população a epidemia não evoluiria tanto, pois as pessoas ficariam em casa sem medo de perder o emprego. Assim de simples. A necropolítica do governo impede isso. Há que proteger unicamente o capital, ou seja, os investidores improdutivos.

Militarização e  tubaína
O gráfico da morte pela Covid continua uma linha vertical quase reta. Hoje, mil mortes por dia. Quantas mil serão na semana que vem?

Enquanto isso o governo de ocupação continua abarrotando o Ministério da Saúde de militares sem qualificação e sem proposta alguma. Como vão ter propostas se são incompetentes para gerir uma crise sanitária?

Para a direita cloroquina, para a esquerda tubaína… diz o porta-voz do governo de ocupação. Tem muita gente que achou que ele estivesse recomendando tomar o refrigerante tubaína, o preferido do povão.

Não é nada disso, Tubaína é a técnica medieval de tortura em que os torturadores – como os Bolsonaro, os Brilhantes Ulstras…- enfiam um funil na garganta da vítima e despejam água, afogando-os. Imagine o sufoco! Aliás, o mesmo sufoco experimentado pelos gravemente afetados pelos efeitos do coronavírus….

Cloroquina
E, porque essa insistência na cloroquina? Quem procura, acha.

Uma notícia de jornal que passa desapercebida porque descontextualizada. Em abril, os laboratórios do Exército anunciaram a produção de 1,25 milhões de comprimidos de cloroquina, com previsão de produzir mais 1,75 milhões. Para isso recebeu a bagatela de 231 milhões de reais, adiantados, e sem previsão orçamentária.

Serão eles, os militares que vão engolir isso? Eles querem que você engula isso, e tem gente que está na rua ainda aplaudindo esse governo. Segundo a pesquisa da XP ainda há quase 30% da população que aprova esse governo de ocupação. Governo da vergonha.

Vídeo oculto
Tem um vídeo que está dando o que falar porque não aparece. Quem viu alguma coisa diz que é uma súcia xingando de palavrões uns aos outros e pedindo a cabeça de juízes, governadores e legisladores. O vídeo está nas mãos do supremo ministro Celso de Mello. Acho que ele está com vergonha de divulgar, vai fazer mais mal ainda a já imprestável imagem do país lá fora.

A gente já comentou aqui que o governo de ocupação liberou geral para ocupação de terras por grileiros, garimpeiros e madeireiros ilegais, grandes mineradores e a agroindústria. A coisa é muito grave, está havendo reação e precisamos todos reagir contra isso.

Em 7 de abril a 7ª Vara Ambiental e Agrária do Estado de Mato Grosso, proibiu o financiamento público para o plantio de cana na Amazônia e no Pantanal e a Bacia do Alto Paraguai, e deu 180 dias para o governo apresentar relatório de estudo ambientais que sustentem a medida.

O Pantanal é um ecossistema único do mundo e é compartilhado por três países além do Brasil: Argentina Paraguai e Bolívia. Só por esse fato, pelas leis internacionais que regulam o uso comum de bacias hidrográficas, os demais países deveriam ser consultados. Isso na pior das hipóteses. Na melhor das hipóteses, tratando-se de países de Nossa América, deveria se fazer um Consórcio para planejar a proteção e exploração sustentável da área.

Nessa área protegida estão os mananciais que alimentam o Pantanal e grandes rios que são tributários, como o Paraguai, e afeta todas as bacias no Sul do país, como a dos rios Paraná, Uruguai, Iguaçu, etc.

Procure ver, hoje, como estão as Cataratas do Iguaçu: elas estão quase secas, com fios de água. Patrimônio mundial da natureza, situada também numa tríplice fronteira: Brasil, Argentina e Paraguai, ameaçado pela incúria dos homens e o mau governo.

A situação que já era grave vem piorando cada vez mais pelo desprezo do governo de ocupação pelas coisas públicas. Coisas públicas significam que pertencem a você, à toda nação, não pode ser vendida e menos ainda depredada como se fosse herança da sua avó.

Enquanto a Nação se diverte com as palhaçadas diversionistas do porta-voz do governo de ocupação, se incrementando sem nenhum obstáculo, e já abarca mais 529 km2. O incremento do desmatamento ilegal se dá na seguinte proporção: Pará 32% de aumento no desmatamento; Mato Grosso 26%; Rondônia 19%; Amazonas 18%; Roraima 4%; Acre 1%. Pará, Amazonas e Rondônia respondem por mais da metade do desmatamento. No Amazonas, só em abril, o desmatamento cresceu 171%.

Quem está desmatando? Os de sempre… madeireiros garimpeiros ilegais,, e maiormente grileiros formando latifúndios como reserva de capital e futura ocupação predadora, a agroindústria, as grandes empresas de mineração.

Gente, nós já temos o maior rebanho bovino do mundo, os maiores canaviais do mundo produzindo açúcar e álcool, maiores produtores de soja, estamos produzindo milho, arroz, feijão, amendoim, algodão, cítricos, tudo em quantidade exportável.

Já está provado que o aumento da produtividade agrícola pode se dar de maneira sustentável, reaproveitando terras ociosas, em suma, sem expansão predatória da fronteira agrícola. Deixem os índios protegerem as nossas florestas.

Neste cenário, cabe a cada um de nós fazer o trabalho de esclarecimento, mostrar pras pessoas o que verdadeiramente está por trás das notícias. Só com informação e educação, conseguiremos coletivamente derrotar o fascismo e criar um novo modelo de democracia e de desenvolvimento para o país.

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