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Brasil

Povo quer vacina contra nossas sandices diárias

Mathuzalém Junior*

Os absurdos protagonizados nesses últimos 12 meses pelo descoordenado ocupante da Presidência da República continuam gerando crias na tropa inconsequente. Presidente Jair Bolsonaro, as sandices nossas de cada dia não param. Respeitosamente, não adianta mais recorrer ao Centrão, a Deus e ao Diabo para tapar o sol com a peneira ou tentar estancar a sangria que Vossa Excelência deixou vazar até a goela dos brasileiros que nunca aceitaram as descontroladas ações contra a Covid-19. Não sei já o informaram, mas, mesmo os que abençoavam suas decisões, começam a sentir na pele os resultados do descalabro.

Apesar da leitura inversa do rebanho que o senhor doutrinariamente comanda – eles insistem em divulgar o comparativo dos que não foram atingidos pela doença -, os números do novo coronavírus são alarmantes. Os registros oficiais revelam que já somos 9.659.167 infectados, com 234.850 óbitos. Entretanto, por enquanto muitas teorias e pouca coisa de concreto. Cerca de dois meses após o governo federal confiscar os imunizantes fabricados na China e produzidos no Brasil pelo governo de São Paulo, por meio do Instituto Butantan, somente 2,04% da população conseguiram a imunização. Em Israel, Reino Unido e Estados Unidos, os respectivos percentuais são superiores a 42%, 20% e 7%%.

Sua assessoria de assuntos desconexos também deve tê-lo informado a respeito de dois recentíssimos episódios, ambos comprobatórios de sua vertiginosa queda de popularidade. No último sábado (6), um cidadão se recusou a usar máscara durante um voo de Salvador para Brasília. Na capital do país, uma mulher teve o mesmo gesto ao forçar a entrada em um supermercado. Infelizmente, por mais que a abelha tente explicar para a mosca que a flor é melhor do que o lixo, a mosca jamais entenderá. Cada um vive a verdade que acredita. Essas duas pessoas agiram como moscas e, por isso, foram literalmente expulsas dos ambientes e sonoramente vaiadas por aqueles que, com senso de coletividade, não abrem mão do adereço.

Os que agem dessa forma parecem ventríloquos – mesmo de boca fechada, repetem todo tipo de asneira que ouvem -, e, portanto, lhe representam. Daí, não ser difícil concluir que suas “verdades” deixaram de soar como antes. Presidente, os dados favoráveis mudaram de lado. A rebeldia contra a máscara envolveu somente duas pessoas. O som das vaias saiu de uma pequena multidão. Ou seja, o rebanho está infeliz, insatisfeito. No melhor dos cenários, boa parte dos seguidores quer fatos no lugar de fakes. Apenas para ilustrar, nas últimas 24 horas foram registradas 1.357 mortes. E a vacinação permanece a conta gotas. Lamentavelmente, é pleonasmo chamar o governo de despreparado para a doença que assusta o mundo e o Brasil há um ano. Basta de palavras, capitão Jair Bolsonaro. A sociedade exige a vacina e está até o topo de engodos e besteróis.

De que adianta, depois de meses a fio trabalhando para descontruir o novo coronavírus, o senhor anunciar que tomará a vacina contra a Covid-19? Faltou divulgar se a opção será pela Sputnik V ou pela CoronaVac do governador João Dória. Saiba que a tarefa será complicada caso a repentina mudança de rumo objetive corrigir erros ou apagar declarações alopradas e politicamente desastrosas. Também pode ter efeito contrário o fato de a assessoria que o capitão ainda ouve usar a vacina como mais uma jogada de marketing, tentando neutralizar as cacas anteriores. O governo perdeu tempo demais com reuniões intermináveis, discussões sobre estatutos, regras e procedimentos para estancar a doença.

Não conseguiu e, após duras críticas, preferiu politizar e, na maioria das vezes, negar o vírus. E continua claudicando, engessado, sem agilidade no processo de imunização. Em lugar de propor uma grande mobilização para compra e distribuição de imunizantes, insiste em gerar somente expectativas para seus seguidores. O presidente não consegue entender que o Brasil é muito mais do que isso. A ordem cirúrgica e imediata deve ser vacina para todos. Chega de remédios sabidamente ineficazes. Cloroquina agora só para espetar o substantivo masculino buzanfa de quem insistir em receitá-la no combate à doença.

*Mathuzalém Junior é jornalista profissional desde 1978

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