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Encantador de serpentes

Propostas ‘comunistas’ de Lula deverão tirar o Brasil do abismo

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Mathuzalém Júnior* - Foto Marcelo Camargo

O “X” da vida é simples. Nós, os seres ditos racionais, é que complicamos. Desde que o mundo é mundo, da mesma forma que o amor e as emoções são os prazeres dos poetas, a estupidez e a ignorância garantem combustível para as festas dos falsos empoderados. O problema é quando a inteligência de alguns decide que os patriotas têm duas personalidades em um único corpo: uma insiste na tese de que o Brasil com Luiz Inácio estará definitivamente entregue aos comunistas, cujo sonho, na opinião dos sem noção, é transformar o país em uma nova Venezuela; a outra não consegue explicar porque o encantador de serpentes Jair Messias levou a oitava economia do mundo para o buraco escuro do caos, deixando para Lula administrar o quintal do Haiti. Eles também fingem não perceber que somente as propostas comunistas conseguirão salvar a nação do abismo.

Mais alguns meses de desgoverno e seríamos transformados em uma republiqueta de bananas podres. Assim como há o “X” da vida, há o “X” da questão. Este é ainda mais simples: noves fora nada, o santo de casa, o falso milagreiro, nos empurrou para o precipício. Aliás, se fez algum milagre, só teremos conhecimento daqui a l00 anos, quando vencer o sigilo determinado sobre todas as suas ações. Ainda não tenho detalhes do que tem sido discutido no QG do governo de transição. No entanto, tenho poucas dúvidas de que, apesar de denominados de comunista, o projeto e os eleitores de Lula são, a curto e a médio prazos, a solução para o governo fascista que dominou o Brasil nesses últimos quatro anos.

Esse domínio não ficou restrito à política e à economia. Ele também atingiu a mente e a alma de um bando de desocupados mentalmente, cujo inconformismo elitizado e idiotizado há muito tempo ultrapassou o limite do tolerável. Odeiam e são odiados. Entretanto, se acham superiores e convictos de que o Brasil sem eles não prospera. Sem qualquer preocupação com os dois pontos da margem de erro para cima ou para baixo, acompanho o voto de todos os brasileiros de bem, para os quais essa horda precisa urgentemente de controle quase absoluto de sanidade. Insanos, vivem em constante desorientação, pois não têm qualquer conhecimento do que sejam comunismo e democracia. Gostaria de lembrar a essa elite tacanha, estúpida e má educada que a derrota de Jair Messias é como a morte: não tem volta. Lembro ainda que nada está dominado.

É do Palácio do Planalto para o ostracismo no entorno de Jacarepaguá, Recreio dos Bandeirantes e Barra da Tijuca. Acho que até pior, porque a maioria dos mortos normalmente é lembrada com carinho e emoção. Bolsonaro talvez seja, mas certamente com desprezo de boa parte da população, dos verdadeiros patriotas. Em dias, semanas ou meses a idolatria deverá ser esquecida definitivamente. Em seu lugar, provavelmente surgirá um outro maluquete carregado de extremismo. Torço apenas para que seja pelo menos um pouquinho mais inteligente, menos soberbo, besta e invejoso, mais preparado e, principalmente, mais brasileiro. Quanto ao gado elitista, a estupidez, a inveja e a falta de educação tipo exportação vêm sendo diariamente mostradas interna e externamente.

No jogo do Brasil contra a Sérvia, o cantor e compositor Gilberto Gil foi gratuitamente insultado por um abastado bobalhão, daqueles que, por terem recursos, se acham mais importantes do que os outros. Não são. Estudaram em Harvard, Cambridge ou na Sorbonne para se comportarem como animais fantasiados no país alheio. Se não se respeitam, pelo menos respeitem aqueles que poderiam ser seus pais. Ícone da MPB, vivido, verdadeiramente idolatrado e conhecido mundialmente, Gil é um senhor de 80 anos e foi insultado somente porque sempre teve cultura suficiente para escolher, com segurança e sapiência, presidentes democratas, com expertise em povo, e, por isso mesmo, demasiadamente incômodo para os loucos e desvairados que perseguem o ódio desde o berço.

Faço meu o desabafo de Francicarlos Diniz no jornal Correio Braziliense dessa terça-feira (29): “Gil é mil! O resto é zero três, zero dois, zero um” e, mais uma vez, “noves fora nada”. A sandice dos patriotas chegou ao cúmulo no fim de semana em Brasília, no QG do Exército, onde um deles convocava atiradores e caminhoneiros para protestos na capital do país. Eles agora querem impedir a diplomação de um presidente eleito democraticamente. Para isso, o sujeito convida atiradores para participar de um acampamento no dia 12 de dezembro, data da solenidade de diplomação. Interessante é que o bandido está identificado e ainda não foi recolhido. Por muito menos, qualquer petista já estaria morto. Como pregava Gal Costa na canção Divino, Maravilhoso, de 1969, “É preciso estar atento e forte”. O encantador de serpentes pode ressurgir. Que nossa coragem seja maior do que nosso medo. Mais do que isso, que nossa força seja tão grande quanto nossa fé. Só venceremos amanhã se não desistirmos hoje.

*Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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