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Saúde

Puberdade precoce merece atenção de todos nós

Carolina Paiva, Edição

A puberdade é um período importante no crescimento de qualquer pessoa, trazendo mudanças no corpo, comportamento e em outros aspectos da vida de crianças. Mas, quando ocorre antes da hora, o processo torna-se uma doença, conhecida como puberdade precoce.

Como o nome diz, a doença é caracterizada pelo surgimento das mudanças que a puberdade causa, mas antes do período normal no qual o processo ocorre. Assim, o primeiro sinal para se ficar de olho em relação à condição é a idade da criança quando algumas alterações começam.

A endocrinologista infantil Louise Cominato explica que a puberdade ocorre, idealmente, entre os 8 e 13 anos para meninas e 9 e 14 anos para meninos. Nessa faixa de tempo é comum que uma menina tenha o aumento das mamas e a primeira menstruação e os meninos o crescimento da região dos testículos e pênis. Em ambos os casos ocorre o surgimento de pelos nas partes íntimas.

“A velocidade da evolução da puberdade varia, o normal para meninas é menstruar com 11, 12 anos”, comenta a médica. A endocrinologista destaca que as mudanças também podem ocorrer a partir dos oito ou nove anos, mas de forma muito acelerada. Nesse caso não há uma puberdade precoce, mas sim a chamada puberdade rapidamente evoluída.

Outra mudança comum na puberdade é comportamental. “Não existe uma regra, mas a menina parece que está com tensão pré-menstrual (TPM), com flutuação de humor. No menino, a testosterona costuma deixá-lo mais agressivo”, explica Louise. É também um período de crescimento de altura e peso, que pode ser rápido ou espaçado.

Assim, caso as mudanças ocorram antes dos 8, para meninas, e 9 anos, para meninos, é importante ficar atento. Louise destaca que a puberdade precoce é mais comum em meninas do que em meninos, mas que, quando ocorre no último grupo, é mais grave, com alguma doença ligada ao sistema nervoso, testículos ou glândulas suprarrenais.

As causas
A endocrinologista explica que não há uma única causa para a doença, e que ainda não se sabe exatamente o que leva à puberdade precoce, ou é mais predominante no processo. Porém, foram identificados alguns fatores que vêm sendo associados à doença.

“No caso das meninas, vários genes têm sido descobertos, cujas mutações levam à puberdade precoce, o que indica essa relação”, comenta Louise. O tipo mais comum, com uma causa genética, é chamado de puberdade precoce central. Em alguns casos a causa não é aparente, e então é chamada de idiopática. Outros fatores detectados são ambientais, que não são causas em si mas podem contribuir para o surgimento da doença.

Entre eles está a obesidade, a exposição a poluentes e a agrotóxicos, em especial os que possuem os chamados disruptores endócrinos: “eles estão presentes em alguns agrotóxicos e plásticos, que são usados na indústria e agem como um hormônio no nosso organismo, levando à puberdade precoce”. Basicamente, essas substâncias atuam nos receptores dos hormônios que levam à puberdade, enganando-os e desencadeando o processo.

Louise observa que, mais recentemente, um outro fator tem sido observado em crianças com a doença: o contato com cremes e pomadas que podem levar à puberdade. “É o aparecimento de pelos pubianos em crianças expostas a andrógenos (hormônios masculinos) a base de gel, que pais e mães têm usado para gerar músculo. Eles passam para a criança ao carregar no colo, pois mesmo absorvido, no contato tem a passagem”, explica a médica.

Assim, o ideal é que após passar o produto os pais usem uma proteção ou roupa que cubra o corpo. É importante também que os pais mantenham medicamentos à base de hormônios sexuais longe dos filhos, incluindo as pílulas anticoncepcionais e evitem a exposição aos outros fatores ambientais citados.

Os elementos que contribuem para a puberdade precoce também levam à puberdade rapidamente evoluída, cujas causas são genéticas. Apesar disso, a puberdade precoce não é hereditária, ou seja, se um dos pais a teve, não há garantia de que a criança terá.

Além das alterações fisiológicas e comportamentais, a puberdade precoce também está ligada à criação de um estigma social. “A criança evolui toda antes da hora, ela é vista como diferente dos colegas, tanto da parte corporal quanto os comportamentos, as atitudes mudam devido à mudança hormonal. A pessoa não se vê naquele grupo”, explica Louise.

A estigmatização pode gerar diversos problemas psicológicos, e em alguns casos demanda acompanhamento psicológico. Mas também existem as consequências biológicas, o principal sendo no crescimento: “Se começa a puberdade muito cedo, os hormônios estimulam o fechamento da cartilagem, ela cresce rápido mas menos que o esperado, então fica menor do que deveria”.

A endocrinologista adiciona que já foram observados uma relação entre meninas com puberdade precoce e uma incidência maior de câncer de mama, já que elas ficam mais tempo expostas aos hormônios que podem levar à doença.

Por todos esses fatores, é importante levar a criança para um pediatra caso surjam suspeitas de puberdade precoce. Uma vez que o profissional identifique a doença, ela é tratada por um endocrinologista pediatra. A médica destaca que o tratamento busca reverter as mudanças geradas pela doença ou parar o seu desenvolvimento, a partir de medicamentos que impedem a produção de hormônios sexuais ou bloqueia seus receptores.

“É uma medicação com pouco efeito colateral, a duração [do tratamento] varia, mas costuma ir até uma idade normal para a puberdade acontecer”, comenta Louise.

Outro ponto importante é que a identificação e tratamento da puberdade precoce passa pelo que Louise chama de “cultura” de frequentar o consultório de um pediatra. “O que precisa é passar no pediatra de rotina, coisa de cultura. Pelo menos uma vez ao ano, para detectar possíveis sintomas ou alertas”, aconselha ela.

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