Fazendo a campanha

Publicitário só tem um voto, mas enche a urna dos candidatos

Foto/Arquivo Notibras
Antônio Albuquerque

“Os candidatos com quem desenvolvo o meu trabalho de comunicação costumam ganhar no primeiro turno. Acima estão eles, planando, e abaixo, se devorando, estão os anões”. A fala é do publicitário Marcello Lopes, o Número 1 nessa época de disputa eleitoral, quando partidos políticos procuram por um profissional de comunicação publicitária que gere vitória. Como todo cidadão comum, ele tem apenas um voto. Mas enche as urnas dos candidatos.

Pelas mãos (e mente) de Marcello já passaram os principais nomes que hoje figuram como destaque na Câmara Legislativa do Distrito Federal, na Câmara dos Deputados, no Senado e no Palácio do Buriti. “São os iluminados”, como divertidamente chamou seus candidatos vitoriosos em entrevista concedida a Notibras.

Marcello responde – como capitão de agência, a Calix Propaganda, e como consultor político –, pelas campanhas de um sem-número de candidatos. É tido como parte do “melhor núcleo” da inteligência da política brasileira.

Sobre sua atuação como publicitário no território político, ele define assim: “É preciso ser vulcão e raio laser na medida certa. Vulcão para fazer comunicação que chega a grandes massas; raio laser para fazer comunicação inteligente, daquelas que manda a mensagem certa, na hora certa e para o público certo. Esse equilíbrio garante o sucesso da minha atuação”, argumenta Marcello.

Marcello de Oliveira Lopes, brasiliense, casado, coleciona feitos e números inusitados. Como publicitário, já ajudou a eleger deputados, senadores, governadores, prefeitos. Assim mesmo, no plural. Segundo ele, é uma coleção de recorde atrás de outro recorde. E sua atuação não fica restrita apenas quando é convocado.

Ele costuma convencer nomes populares à candidatura em momentos em que até os próprios candidatos não estavam animados com a ideia. “Eu consigo perceber o talento da pessoa para a atividade pública. Eu acredito nessa pessoa, ela acredita em mim, e assim vamos até a vitória”, diz. Neste ano Marcello Lopes pode aumentar ainda mais seus números de candidatos eleitos, se confirmados os nomes nas eleições 2018.

Até aqui seus candidatos clientes estão na liderança. As eleições estão chegando. Marcello está concentrado nesse trabalho. Viaja com frequência, transita por Brasília com ainda mais frequência e mantém dialogo constante com uma equipe de mais de 30 pessoas. Quando as urnas foram abertas, com certeza os candidatos dele estarão entre os mais votados.

Vendendo ideias – Pouco mais de quatro décadas atrás surgiu uma nova espécie na fauna da política brasileira: “o marqueteiro”, uma fusão de estrategista, analista político, jornalista, publicitário. Eles sempre estiveram próximos ao poder, mas desde os anos 80, se tornaram estrelas de primeira grandeza no universo político. Hoje alguns nomes estão despontando nesse cenário, como o do jovem publicitário Wemerson Santos, sócio da consultoria R&W Inova, e consultor político informal de pouco mais de uma dezena de parlamentares e candidatos a cargos eletivos.

“Sou um transeunte nesse meio. Vim do meio jornalístico, do meio publicitário, do meio literário e desemboquei na comunicação política do Planalto Central. Modestamente, tento buscar o que há de melhor em cada candidato ou parlamentar. Feito isso eu crio um discurso crível e cheio de ideias em torno deles”, diz Wemerson.

Foto/Arquivo Notibras

A presença dos marqueteiros no universo político não é nova. Nos anos 70, analistas vindos dos Estados Unidos já ditavam as regras nas campanhas eleitorais da América Latina. Um nome emblemático nessa história é o de David Sawyer, que atuou nas eleições presidenciais da Venezuela e de importantes deputados, senadores e governadores norte-americanos. Sua influência chegou inclusive ao Oriente Médio e nas Filipinas.

No Brasil, Fernando Henrique Cardoso, por exemplo, também recorreu a um norte-americano para o papel de seu marqueteiro, com James Carville, responsável pela primeira campanha de Bill Clinton à Casa Branca, além de outros líderes no exterior, como Tony Blair, no Reino Unido, e Gonzalo de Lozada, na Bolívia.

Marqueteiro, não – Mesmo com o sucesso de seus antecessores, Wemerson não gosta do título de sua função. “A palavra ‘marqueteiro’ tornou-se pejorativa. Não gosto e nem admito ser chamado por esse termo. O trabalho de consultoria de comunicação política é mais cerebral, é mais de inteligência, é mais de demonstração de força por meio das ideias, é o de persuasão por meio de argumentos legítimos”.

E ele emenda: “Candidatos ligam para o meu celular, momentos antes de uma entrevista ou debate buscando um norte, argumentos intransponíveis, demonstração de vigor intelectual. Um trabalho assim não pode ser taxado por um termo vulgarizado como marqueteiro” argumenta Wemerson.

A despeito da desenvoltura que exibe ao realizar grandes mudanças na imagem de políticos, os profissionais de comunicação política vêm sendo valorizados no Brasil. E a maioria deles não tem origem na publicidade. Wemerson, por exemplo, segundo ele mesmo diz, vem da literatura. “A arte literária é o meu métier”. Segundo ele, acessou a comunicação política por meio de alguns camaradas que acreditaram em seu poder de escrever bons discursos.

“Acreditaram no meu trabalho há muito tempo e eu estou aqui, firme, até hoje. A minha chancela são os nomes que eu consegui alçar ao Congresso Nacional e à política do Distrito Federal. O meu trabalho é esse: um exercício de persuasão, usando instrumentos legítimos, porque a democracia é isso, um choque de elementos de persuasão”, arremata o sócio da R&W Inova.

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