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Cultura

Quando cinema voltar, virão Judas e o Messias Negro

Carolina Paiva, Edição

Sucesso de crítica, Judas e o Messias Negro está dando uma pausa nos cinemas por conta da volta da pandemia. O filme é protagonizado por Daniel Kaluuya e Lakeith Stanfield, intérpretes de Fred Hampton e William O’Neal, respectivamente. No começo da gestação do projeto, a dupla de cineastas formada pelos irmãos Kenny e Keith Lucas abordou Shaka King e o convidou para participar como roteirista e diretor de um projeto sobre Hampton.

Os cineastas faziam questão de evitar produzir um filme biográfico tradicional. Ao invés disso, optaram por mostrar um homem em busca de sua própria versão do sonho americano como porta de entrada para uma narrativa interessante. Shaka King explica, “O William O’Neal é complexo. Inteligente, capaz de avistar e explorar as oportunidades que lhe são apresentadas, ele seria um ótimo capitão da indústria. Contudo, como um jovem negro em Chicago, em 1968, ele não teve essas oportunidades – e não engoliu isso”.

Para o produtor Charles D. King, “Esse projeto foi uma aliança de excelência e queríamos estar envolvidos. Outro fator determinante foi reconhecer a importância da história e a determinação de contá-la da forma certa. Pela primeira vez, diversas gerações aprenderão mais sobre o Partido dos Panteras Negras com este filme, embora haja outros filmes excelentes que abordaram os Panteras Negras. Porém, este tem um foco no presidente Fred Hampton e seu impacto nas comunidades – precisávamos ter certeza de que faríamos a coisa certa para honrar o legado da família”.

Shaka King relembra, “Mesmo antes de conhecer o Daniel Kaluuya, eu sabia que ele era ideal. Em nosso primeiro encontro, fiquei impressionado com a sua maturidade. Ele é muito reservado e há muitas coisas sobre ele que eu não ficaria à vontade em compartilhar. Contudo, seu envolvimento político e maturidade o tornaram uma escolha natural para interpretar o Hampton. Além disso, o Daniel é hilário e tem uma habilidade incrível com as palavras. São características que ele tem em comum com o presidente Fred”.

Embora o filme seja inspirado em acontecimentos reais, algumas decisões foram tomadas para manter o realismo, mas com adaptações onde fosse necessário – por exemplo, em relação à adoção por Kaluuya da voz e maneirismos do presidente Fred Hampton. King argumenta: “Se o Daniel fizesse uma imitação exata da voz do Fred Hampton – que falava incrivelmente rápido, com um sotaque de Louisiana e um pouco de influência sulista – acho que muitas pessoas não entenderiam o diálogo do filme e as palavras do Fred são muito importantes. Sua forma de expressar suas ideias é seu superpoder”.

Para o papel, Kaluuya tentou incorporar um pouco da mentalidade do presidente Fred Hampton: “Eu acordava de manhã e escutava o discurso do Malcolm X enquanto estava no banho; eu li que o presidente Fred ouvia os discursos de Martin Luther King e Malcolm X para ter ideias. Eu assistia às suas gravações durante as refeições e, desde o momento em que eu saía para o set, enquanto estava no carro, eu praticava o dialeto. Eu trabalhei por três meses com um treinador de dialetos. Eu comecei a fumar para dar certa textura à minha voz e fiz aulas de canto com um cantor de ópera para estudar o controle vocal e da respiração, preparando-me para suas apresentações algo teatrais, sabendo que eu faria seus discursos por cerca de 10 horas por dia. Eu cantei Gospel, James Brown e canções da época. Tudo isso contribuiu para a minha construção desse personagem tão importante”.

Escalado para o papel de William O’Neal, LaKeith Stanfield encontra familiaridade no disfarce complicado de O’Neal. Stanfield observa, “Para mim, o William O’Neal é como a maioria das pessoas – ao ter que escolher entre tomar uma atitude corajosa ou tirar o seu da reta, acho que a maioria escolheria se salvar. Isso não nos torna maus; nós somos assim mesmo. É isso que diferencia pessoas como o Fred Hampton do O’Neal e da maioria das pessoas. O Hampton escolhe o caminho mais difícil. Ele toma todas as suas decisões com base em determinados princípios.”

Enquanto William O’Neal tem que fazer escolhas difíceis, o presidente Fred Hampton ensina um caminho direto, pragmático e inspirador para que os outros possam se libertar, o que o torna perigoso para aqueles que detêm o poder.

Stanfield encerra, “Para mim, havia vários desafios envolvidos em interpretar o O’Neal. O presidente Fred e seu legado são muito importantes para mim. Outra questão é que eu adorei o fato de o Daniel interpretar o Fred. Às vezes, eu achava que a história e a realidade se confundiam e o conflito interno que você vê em mim não era ficção. Isso mostra o trabalho excelente feito pelos roteiristas e atores, principalmente o Daniel, além do clima criado pelo Shaka. Houve dias em que eu fui para casa perturbado”.

O filme
O informante do FBI William O’Neal (LaKeith Stanfield) se infiltra no Partido dos Panteras Negras de Illinois e tem a missão de manter o controle sobre seu líder carismático, o presidente Fred Hampton (Daniel Kaluuya). Um ladrão de sucesso, O’Neal revela o perigo de manipular seus companheiros e seu treinador, o agente especial Roy Mitchell (Jesse Plemons). As proezas políticas de Hampton crescem enquanto ele se apaixona pela colega revolucionária Deborah Johnson (Dominique Fishback). Enquanto isso, uma batalha se trava pela alma de O’Neal. Ele se alinhará com as forças do bem? Ou irá subjugar Hampton e Os Panteras por qualquer meio, como exige o diretor do FBI J. Edgar Hoover (Martin Sheen)?

Inspirado em acontecimentos reais, “Judas e o Messias Negro” é dirigido por Shaka King, marcando sua estreia na direção de um longa-metragem pelo estúdio. O projeto se originou com King e seu parceiro de roteiro, Will Berson, que co-escreveu o roteiro, e Kenny Lucas & Keith Lucas, que co-escreveu a história com Berson & King. King, que tem um longo relacionamento com o cineasta Ryan Coogler (“Pantera Negra”, “Creed – Nascido Para Lutar”, ” Fruitvale Station: A Última Parada “), apresentou o filme a Coogler e Charles D. King (“Luta por Justiça”, ” Um Limite Entre Nós”), que estão produzindo o filme com Shaka King. Os produtores executivos são Sev Ohanian, Zinzi Coogler, Kim Roth, Poppy Hanks, Ravi Mehta, Jeff Skoll, Anikah McLaren, Aaron L. Gilbert, Jason Cloth, Ted Gidlow e Niija Kuykendall.

Judas e o Messias Negro é estrelado pelo indicado ao Oscar Daniel Kaluuya (“Corra!”, “As Viúvas”, “Pantera Negra”) como Fred Hampton e LaKeith Stanfield (“Atlanta”, “Millennium: A Garota na Teia de Aranha”) como William O ‘Neal. O filme também é estrelado por Jesse Plemons (“Vice”, “A noite do jogo”, “The Post – A Guerra Secreta”), Dominique Fishback (“O Ódio que Você Semeia”, “The Deuce”), Ashton Sanders (“O Protetor 2”, “Moonlight: Sob a Luz do Luar”) e Martin Sheen (“Os Infiltrados”, “The West Wing” da TV, “Grace & Frankie” da TV).

O elenco também conta com Algee Smith (“O Ódio que Você Semeia,” “Detroit em Rebelião”), Darrell Britt-Gibson (“Luta por Justiça”, “Três Anúncios Para Um Crime”), Dominique Thorne (“Se a Rua Beale Falasse”), Amari Cheatom (“Roman J. Israel, Esq.,” “Django livre”), Caleb Eberhardt (“The Post – A Guerra Secreta”),) e Lil Rel Howery (“Corra!”).

A equipe criativa dos bastidores inclui o diretor de fotografia Sean Bobbitt (“12 Anos de Escravidão”, “Widows”), o designer de produção Sam Lisenco (“Shades of Blue: Segredos Policiais”), o editor Kristan Sprague (“Random Acts of Flyness”) e a figurinista Charlese Antoinette Jones (“Raising Dion”). A música é de Craig Harris e Mark Isham.

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