Melodias
Quando os versos aprenderam a respirar
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Não escrevi palavras,
despertei constelações adormecidas
na garganta secreta do tempo.
Deixei que a alma guiasse a pena,
que o coração ditasse melodias
que nem a saudade ousava pronunciar.
Cada verso nasceu como estrela trêmula,
buscando seu reflexo no infinito,
como sopro que insiste em viver
no abismo do esquecimento.
As letras aprenderam a cantar
quando sentiram o peso da eternidade.
Há versos que não se leem,
se escutam com os olhos fechados,
caminham descalços pela memória
e deixam sua chama acesa
no recanto mais humano do ser.
Ali, onde a alma se despedaça…
e floresce novamente.
Este poema não se explica,
é respirado como aurora,
bebido como orvalho,
abraçado como regresso ao lar
depois de atravessar tempestades
e sobreviver ao tremor da ausência.
Se ao lê-lo tua essência despertar,
se teu coração ecoar em silêncio ancestral,
se uma lágrima decidir nascer sem permissão…
então os versos cumpriram seu destino:
lembrar que ainda sentes,
que ainda amas,
que ainda és vivo.
Porque há poemas que não buscam palmas,
mas almas despertas.
E este…
este nasceu para permanecer
como raiz secreta dentro de ti.