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Saúde

Quando você é vítima, precisa buscar ajuda

Luciana Kotaka

Era para ser um dia igual aos outros e de repente você sente uma dor no peito, angústia, tudo se mistura e o medo aparece. Você não entende o que está acontecendo, fica apavorado com a possibilidade de estar prestes a morrer, o coração batendo enlouquecido, suores, tremores e formigamentos surgem por todo o corpo. Pronto, a crise está instalada, mas você ainda não sabe o que fazer, o desespero parece não ter fim.

Talvez você saiba que eu descrevi uma crise de pânico, algo que antes parecia algo distante que só acontecia com outras pessoas agora te pegou na surpresa, de calças curtas. Chegou sem nenhum aviso e até cair a ficha para você entender que não está tendo um ataque cardíaco, o sofrimento vai fazendo a festa no seu corpo e também na sua mente.

Todos nós reagimos ao medo, ele serve como um alerta para o corpo, é um instinto de sobrevivência que nos faz parar e recuar frente ao perigo sendo importante para a nossa sobrevivência. Porém quando o medo que acompanha o ataque de pânico aparece, ele é incompreensível, o que nos faz ficar ainda mais apavorados, pois não entendemos o que está ocorrendo realmente.

Muitas vezes vamos sentindo os sinais aos poucos, a angústia vai aumentando, a falta de ar, o medo na hora de ir dormir, mas nem sempre ligamos os pontos, o que faz com que a demora por buscar ajuda nos cause mais sofrimento. Somente quando está insuportável é que cedemos e buscamos meios de resolver a questão, e de fato é muito importante que se faça isso o mais rápido possível.

A terapia é indicada pois é imprescindível que se trabalhe os conteúdos e traumas que deram origem à crise, lembrando que normalmente há questões pendentes que levam a desorganização interna, a perda de controle sobre a vida e questões das quais será necessário cuidar e reorganizar.

Mas é preciso ficar claro que no momento da crise há outros recursos importantes como a hipnose que tende a ser bem efetiva, medicações tanto alopáticas como homeopáticas, além de outras opções que visam a mudar a qualidade de vida como um todo. Uns dos fatores que geram a reincidência das crises é a não prevenção, a medicação por si só não é o caminho, lembrando que é como colocar um pano sobre um vespeiro, se descuidar uma escapará e todo o enxame irá junto.

O pânico nos mostra que não estamos bem resolvidos com algumas questões da nossa vida e ao contrário do que acabamos imaginando, nem sempre é algo absurdamente grandioso, até uma simples brincadeira na infância em que o papai ou a mamãe nos jogava para cima brincando e prendíamos o ar, isso pode sim ficar registrado no inconsciente, pois um bebê não tem noção e nem recursos internos para elaborar as mensagens que o corpo libera nesses momentos. Fica ali o primeiro registro da falta de controle, do medo, da ansiedade e também das substâncias que o corpo libera nesses momentos de alto estresse.

É claro que você não deve se prender a esse exemplo, existem muito outros gatilhos, inclusive as pessoas que tendem a serem mais organizadas e controladoras são as que mais apresentam crises de pânico, por isso a necessidade de um trabalho mais profundo na terapia.

Vou deixar três dicas que serão excelentes e que devem ser rotineiras para que aprenda a manejar melhor as possíveis crises como: exercícios de respiração, práticas de meditação e Yoga.

Os recursos são simples, lembrando que o mais fácil nem sempre é o caminho mais efetivo, então se dedique a erradicar os gatilhos emocionais que acionam os episódios do pânico, para que possa ter de volta a qualidade de vida que você merece.

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