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Passei no BB (Parte 2)

Quase morri

Publicado

Autor/Imagem:
Saulo Braga - Texto e Foto

Esta é uma história real. Para saber mais, leia a parte 1 (link no final).

Depois de passar na prova escrita, no teste de datilografia e fazer os exames médicos, restava só reunir a documentação e ir tomar posse na agência do Banco do Brasil na cidade de Colmeia, situada no atual estado do Tocantins. Após entregar a minha documentação no órgão responsável pelos Recursos Humanos do Banco aqui no Rio de Janeiro, fiquei aguardando para receber a documentação da posse que deveria ser apresentada na Agência de Colmeia. Mas uma conversa entre os dois funcionários que estavam no setor me chamou bastante atenção.

Eles discutiam para saber se eu receberia a passagem de avião ou de ônibus. Um deles dizia que era preciso economizar os recursos do banco e me mandaria de ônibus. O outro retrucava dizendo que era muito longe e que preferia me mandar de avião. Eu até tinha em casa um Guia Quatro Rodas, mas, por ele ser antigo, não constava essa cidade. Foi só depois de comprar uma edição nova do guia é que eu fiquei sabendo a distância… 2.200 km do Rio de Janeiro.

Por sorte, me deram a passagem de avião. Na verdade, seriam três passagens. A primeira com o trajeto do Rio de Janeiro até o aeroporto de Brasília, e a segunda passagem seria de Brasília até Conceição do Araguaia no Pará. A terceira passagem foi de ônibus, de Conceição do Araguaia até a cidade de Colmeia.

Eu nunca havia viajado de avião. Na primeira viagem não me lembro o nome da empresa aérea e também do modelo do avião, só sei que era um desses bem grandes, com capacidade de muitos passageiros, provavelmente um Boeing. A viagem foi incrível e fiquei maravilhado.

Ao chegar a Brasília, trocamos de aeronave. O segundo avião, me lembro bem, era um Focker 100 da TAM, Táxi Aéreo Marília, que era um avião de porte médio. Depois da decolagem, ele voou por muito tempo entre as nuvens e eu fiquei maravilhado de novo. Até que o avião começou a sacolejar em uma forte turbulência.

Pratos, copos e outros itens começaram a cair das gavetas e armários na área da galley. A forte agitação também tombou o carrinho de serviço. De repente, em um movimento brusco, o avião começou a fazer um mergulho e eu senti aquele frio na barriga, igualzinho àquele que a gente sente no carrinho de montanha-russa. Aí, eu achando que ia morrer, pensei: “Pra que eu fui passar no concurso do Banco do Brasil?”

Houve pânico geral dentro do avião. Muita gente gritando e chorando, também pensando que ia morrer. Mas, por incrível que pareça, o passageiro a meu lado apontava para o relógio e dizia: “vou chegar atrasado de novo!” Não acreditei nisso. O avião caindo e o homem preocupado com o horário.

Instantes depois, o piloto estabilizou o avião. Curioso, perguntei ao passageiro a meu lado o porquê de ele estar preocupado com o horário, sendo que o avião estava caindo. Ele disse que sempre fazia esta rota neste mesmo avião, e que muitas das vezes havia bastante turbulência e os pilotos “mergulhavam” para poder fugir da turbulência. Mesmo com esta explicação da perícia do piloto ao executar a manobra de mergulho, que obviamente eu não sabia se foi correta ou não, continuei apreensivo durante todo o restante da viagem.

Finalmente chegamos ao aeroporto sãos e salvos, e o meu vizinho de viagem me ofereceu uma carona até a rodoviária, pois um funcionário da sua fazenda iria buscá-lo no aeroporto. Fiz meu primeiro amigo lá no Norte. Chegamos à rodoviária que, na verdade, não era uma rodoviária. Naquela época era só um terminal bem rústico com ônibus poeirentos que transitavam em estradas majoritariamente de terra e conectavam o sul do Pará ao restante do país. As viagens frequentemente enfrentavam atrasos devido às severas condições das rodovias com pontes de madeira, exigindo muita paciência dos passageiros.

Hoje, após diversas reformas, o terminal rodoviário localiza-se na região central da cidade com o nome de Terminal Rodoviário Robson Gurjão. Mas naquela época eu não sabia nada sobre a viagem que faria de Conceição do Araguaia até a cidade de Colmeia. Foi outra experiência pela qual eu nunca tinha passado. Como diz o Mineiro: “Foi osso!” Mas isto você vai saber na parte 3. Aguarde.

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Leia a parte 1: https://www.notibras.com/site/cafundo-do-judas/

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