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Que passado é esse de Ibaneis, que Rollemberg tanto fala?

Foto/Reprodução - Metrópoles
Marc Arnoldi

Os dez últimos dias da campanha 2018 ao Buriti não prometem brilhar pelo elevado nível de debate entre os oponentes remanescentes. Também, é preciso se colocar no lugar de Ibaneis Rocha (MDB) e Rodrigo Rollemberg (PSB). Quem acompanha os candidatos desde o início já conhece as propostas quase de cor. O atual governador avança as dificuldades que teve ao receber o GDF em situação pré-falimentar (seu predecessor, Agnelo, fez jus ao provérbio “quem cala consente”.

É um discurso que não difere muito dos outros candidatos à reeleição pelo Brasil afora. Alguns se reelegeram no primeiro turno com votação espetacular, particularmente no Nordeste; outros, como Rollemberg, foram convidados para a final. E uns poucos não passaram a primeira barreira, tendo como “estrela” o vizinho Fernando Pimentel. Mas esse parcelava salários dos servidores…

Ibaneis também segue seu papel, o de opositor, com a vantagem de nunca ter participado de governo nenhum. Com isso, pode até pôr no mesmo saco “todos que estão aí” e se apresentar como não-político, que veio de fora para solucionar o que não funciona há anos.

Mas o ex-Presidente da OAB-DF foi além de apontar as falhas do atual governo (todos os governos têm, por isso o papel da oposição é mais fácil). Começou a questionar alguns dos feitos. Como o Instituto Hospital de Base. E, talvez de forma surpreendente, o bem-sucedido advogado vindo do privado se mostra mais a favor do serviço público que o “socialista” (o S da sigla PSB, partido de coração e de fidelidade rara de Rodrigo Rollemberg) que, como chefe dos mais de 130 mil servidores do GDF na ativa, não teve só boas experiências.

Além deste assunto, que um eventual Governo Rollemberg II quer expandir a outras unidades de saúde enquanto o também eventual Governo Ibaneis quer extinguir, há outros temas com posições francamente antagonistas: o Centrad, a mais vistosa (e mais cara) parceria público-privado do DF, do qual gênese e gestão já fornecem centenas de páginas em inquéritos policiais e ações judiciais; a Agefis, órgão centralizado criado para estancar as inúmeras denúncias de arranjos e desarranjos da fiscalização descentralizada nas administrações regionais; os reajustes e aumentos às categorias de servidores.

Não são poucas as diferenças nos programas. E talvez haja até outras, em sujeitos não abordados até agora: qual o destino do Mané Garrincha? do Autódromo destruído? A licitação do sistema dos ônibus, condenada pela CLDF, com suas “bacias”, sua diminuição da frota e do tamanho dos carros, sua tarifa aumentada, seus passes livres milionários, vai ficar do jeito que está? Quais obras estruturantes estão previstas ao longo do mandato? Mais viadutos? Mais casas? Mais escolas?

Por enquanto, não saberemos. Porque o negócio agora é pessoal mesmo. Com direito a extensão familiar. Ambos os candidatos sabem do “ponto fraco” do adversário. Rodrigo Rollemberg poderia ser alcunhado de “Zidane do cerrado”. Como o ex-jogador de futebol francês, que foi expulso de uma final de Copa do Mundo contra a Itália em 2006 após uma cabeçada porque um defensor da azzura emitiu sérias dúvidas sobre a virtude de sua irmã, o Governador tem um senso agudo da família. A cada menção a alguém tendo o mesmo sobrenome, sua fisionomia muda, e ele parte para o ataque.

Já Ibaneis tem fama de pavio curto. Sua carreira advocatícia o calejou em dominar a retórica, mas seu caráter sanguinho pode lhe fazer ultrapassar alguns limites. Um certo dedo em riste num debate no primeiro turno talvez tenha sido o empecilho maior a uma aproximação com a candidata vítima da (no mínimo) deselegância para um eventual apoio no segundo turno.

Rollemberg vai tentar descobrir qual tema possa tirar o emedebista do sério. Já tentou alguns, mas sem grande sucesso. Pelo menos em público. Estacionado num confortável 75% a 25% confirmado pelo Ibope, Ibaneis poderia até pensar estar tranquilo. Mas a eleição 2018 não será por W.O., como ele próprio justificou quando anunciou sua candidatura.

“Até o final das eleições, a população vai conhecer a verdadeira história”, frase repetida duas vezes pelo atual Governador num debate na noite desta quarta-feira. Foi simples bravata? Que história é essa? É mesmo verdadeira?

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