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Gente largada

Quem cuida de quem já cuidou na vida silenciosa dos idosos

Publicado

Autor/Imagem:
Júlia Severo - Texto e Foto

Quem cuida de quem já cuidou? O abandono silencioso de idosos no Nordeste

Em muitas cidades do Nordeste, uma realidade dura cresce longe dos holofotes: o aumento de idosos vivendo sozinhos, esquecidos por familiares ou sem qualquer rede de apoio. São homens e mulheres que passaram a vida cuidando dos outros — filhos, netos, casas — e que agora enfrentam a velhice em silêncio.

Em bairros periféricos e áreas do interior, não é raro encontrar idosos que dependem da ajuda de vizinhos para tarefas básicas, como comprar comida ou buscar remédios. Alguns vivem com aposentadorias mínimas, outros sequer têm renda fixa. O que todos têm em comum é a ausência: de companhia, de cuidado e, muitas vezes, de dignidade.

Especialistas apontam que o envelhecimento da população, somado à migração de familiares para outras regiões em busca de trabalho, tem ampliado esse cenário. Com filhos distantes e rotinas cada vez mais corridas, muitos idosos acabam ficando para trás, física e emocionalmente.

Instituições de acolhimento existem, mas não são suficientes para atender à demanda crescente. Além disso, há o peso emocional: muitos idosos resistem a deixar suas casas, mesmo enfrentando dificuldades, por medo, apego ou esperança de que alguém volte.

Apesar disso, pequenas redes de solidariedade ainda fazem a diferença. Vizinhos, agentes de saúde e projetos comunitários surgem como apoio essencial, mostrando que o cuidado pode vir de onde menos se espera. Ainda assim, a pergunta permanece — incômoda e urgente: quem está cuidando de quem já cuidou de todos?

O desafio vai além de políticas públicas. Trata-se de um chamado à consciência coletiva, em uma sociedade que envelhece rápido, mas ainda não aprendeu a cuidar de seus próprios idosos.

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