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Veículos

Quer um carro novo? Deixe o coronavírus passar

Hairton Ponciano

A Porsche cancelou esta semana o lançamento mundial do novo 911 Turbo S, que seria realizado no fim do mês, nos Estados Unidos. O motivo foi a proibição de entrada de europeus em território norte-americano. A medida foi anunciada na semana passada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, numa tentativa de impedir ainda mais a propagação do novo coronavírus no país.

A Porsche é uma marca alemã, e a Alemanha é um dos países mais afetados pelo coronavírus no mundo. E um lançamento desse porte atrairia não apenas alemães. Eram esperadas também pessoas de diversas partes do globo.

A atitude tomada pela Porsche não foi um caso isolado. Diversas empresas têm cancelado, adiado ou mudado planos de lançamentos, para evitar aglomeração de pessoas em um mesmo local e deslocamentos em viagens de avião.

Curiosamente, o esportivo da Porsche seria apresentado no Salão de Genebra, no início do mês, mas a feira Suíça acabou sendo cancelada também pelo coronavírus.

A Ford também iria realizar o lançamento mundial do novo SUV Bronco nos Estados Unidos, mas acabou cancelando, pelos mesmos motivos. O modelo seria apresentado pela primeira vez ao público em abril, durante o Salão de Nova York, mas, a exemplo da exposição de Genebra, a mostra dos EUA também foi cancelada. A organização divulgou que a feira foi adiada para o final de agosto.

Além de cancelamentos mundiais, a pandemia tem alterado profundamente as estratégias das empresas no Brasil. A Ford iria lançar hoje uma nova versão da Ranger, a Storm, mas adiou o evento inicialmente para a semana que vem.

Agenda do Tracker
Já a Chevrolet, que havia programado uma agenda de dois dias para o lançamento do novo Tracker, esta semana, reduziu o evento para apenas um dia. A Chevrolet deposita muitas esperanças em seu novo SUV, tanto que planeja produzi-lo no Brasil e na Argentina, simultaneamente.

Outro modelo de importância fundamental que teve de passar por correção de rota na programação de lançamento foi a Fiat Strada. A picape mais vendida do País está passando pela alteração mais importante em 22 anos de existência.

A empresa sediada em Betim chegou a cogitar fazer o evento de lançamento do modelo no badalado balneário de Punta del Este, no Uruguai. Mas a súbita elevação da cotação do dólar (causada pelas incertezas provocadas pela pandemia) fez com que a estratégia fosse revista. Com isso, a picape deverá ser lançada no mês que vem em Minas Gerais, estado onde se localiza a fábrica do modelo.

Amarok V6
A Volkswagen havia programado para hoje e amanhã a apresentação da picape Amarok V6 mais potente. O evento seria realizado em Buenos Aires, onde o modelo é fabricado. A potência do motor turbodiesel foi de 225 para 258 cv. Mas o lançamento foi cancelado.

A Volvo também promoveu alterações em sua programação de eventos. A empresa iria realizar na próxima sexta-feira, dia 20, em São Paulo, um encontro denominado “Volvo Recharge Experience”, para divulgar as funcionalidades de seus modelos híbridos. Mas, na sexta-feira passada, dia 13, a marca enviou um comunicado avisando sobre o cancelamento do programa. Tudo por causa da propagação do coronavírus.

Linha comercial
Também na sexta-feira 13, a Iveco divulgou um comunicado cancelando o lançamento do furgão Daily. O evento seria realizado hoje a amanhã em Brasília. No texto, a empresa acrescenta que “em um momento oportuno” entrará em contato.

Além disso, houve adiamento também da Intermodal. Trata-se da maior feira de transportes e logística da América Latina. Ela seria realizada esta semana (de amanhã até quinta-feira) no São Paulo Expo. O mesmo espaço que sediaria o Salão do Automóvel de São Paulo, em novembro. O evento paulistano também foi cancelado.

Por causa do vírus, a organização decidiu adiar o evento para a segunda quinzena de julho. A exposição teria cerca de 450 empresas do setor de transportes. Entre as quais algumas gigantes como DHL, Maersk e Hamburg Süd.

Os organizadores estimavam a presença de 38 mil visitantes nos três dias de evento.

Produção parada
No Brasil, ao menos até sexta-feira, as principais montadoras informaram que a produção de automóveis estava sendo feita normalmente, e que não havia desabastecimento de peças.

Bem diferente desta situação, na Itália a produção de carros encontra-se praticamente paralisada. As quatro fábricas do Grupo FCA espalhadas pelo país interromperam as atividades na quarta-feira passada.

A Lamborghini suspendeu a produção de seus carros esportivos por duas semanas, enquanto a concorrente Ferrari anunciou que reduziu o funcionamento de suas plantas (Maranello e Modena) “ao mínimo”.

Na Itália, as pessoas não devem sair de casa a não ser para atividades essenciais. As medidas são para frear o avanço do coronavírus. Por causa disso, a previsão é a de que as vendas de veículos deve cair muito.

Segundo o site Automotive News, em março, até o dia 12, foram vendidos no país cerca de 26 mil veículos. Foram 32.700 unidades no mesmo período do ano passado. Mas a queda deve se intensificar a partir de agora, já que poucas pessoas estão autorizadas a comprar um carro novo.

Isso ocorre porque a circulação pelas ruas só deve ser feita em “situazioni di necessità”, ou situação de necessidade. Como comprar carro não se enquadra nessa descrição, é esperada uma grande queda nas vendas.

Ainda de acordo com o Automotive News, pela primeira vez em 55 anos a grande rede de automóveis Autotorino fechou as portas temporariamente, na semana passada. Após a decisão da empresa, que tem 1.700 funcionários, outros grandes grupos de revendedores de carros que atuam no país seguiram o mesmo caminho.

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