Isolamento e desgaste
Ratinho Júnior expõe a fragilidade política de Sérgio Moro
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A desistência de Ratinho Júnior da corrida presidencial poderia, à primeira vista, sugerir um recuo estratégico ou mesmo um esfriamento de sua presença política. Ledo engano. O governador paranaense segue ativo, atento e, sobretudo, disposto a influenciar diretamente os rumos do seu estado. Se não vai disputar o Planalto, tampouco pretende assistir passivamente à sucessão no Paraná, muito menos entregar o protagonismo a um adversário que, aos poucos, se vê cada vez mais isolado no cenário político local.
Nesta sexta-feira, 27, Ratinho Júnior deixou isso bastante claro ao tecer duras críticas a Sérgio Moro. O gesto não foi apenas retórico: foi um movimento calculado, com endereço certo. Moro, que já enfrentava resistências dentro da própria classe política paranaense, parece acumular desgastes em série. Sem uma base sólida de apoio e cercado por desconfianças, o ex-juiz vê seu projeto político encontrar obstáculos cada vez mais evidentes e, ao que tudo indica, a resistência de Ratinho Júnior tende a amplificar esse isolamento.
Nesta semana a disputa pelo Paraná começa a ganhar contornos mais definidos. Ratinho Júnior mostra que não pretende abrir mão de seu capital político nem permitir que o estado se torne palco de aventuras personalistas. Já Moro, que construiu sua trajetória na magistratura e tentou convertê-la em força eleitoral, agora enfrenta a dura realidade da política tradicional: alianças, rejeições e jogos de poder. E, nesse tabuleiro, estar sozinho nunca é uma vantagem.