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Cultura

Recife em Carne e Osso, da saudade e das pitombas

Carolina Paiva

Antônio Saudades Que Eu Sinto Maria e Edu Chora Menino Lobo cantaram, como de resto outras dezenas de artistas, o sentimento gostoso de quem quer voltar ao Recife do Clube das Pás, do Vassouras, onde passistas traçam tesouras em ruas repletas de meninas de trança, sem cheiro de lança no ar. Mas na praça há também quem cante e conte, fruto de ruas movimentadas, os sons e os cheiros da cidade cortada pelo Capibaribe e Beberibe, que juntam suas águas ‘para formar o Atlântico’.

É assim, mostrando vida e alma como ensinou o escritor João do Rio, que Rennat Said, produtor cultural, escritor, diretor do coletivo Ita-Quatiara de Gravura, formado em Letras (francês) e pós graduado em Literatura Brasileira pela Universidade Federal de Pernambuco, apresenta em edição eletrônica a biografia de rua recifense. O foco é o ser humano, como elemento catalisador e transformador do espaço urbano.

Como se trata de uma história viva, os personagens – muitos dos quais já se mudaram para onde se convencionou chamar de Paraíso – têm sangue ns veias. Said define sua obra Recife em Carne e Osso como um livro que enquadra a escrita como uma espécie de literatura das emergências, capaz de registrar essa memória coletiva e afetuosa que andarilhos deixaram e ainda deixam pelo centro da cidade pequena porém decente através de seu uivos e sinais.

Mas é também, diz o autor, outra forma de olhar e conhecer o Recife, de se tornar mais pernambucano. “E conhecer e entrevistar os personagens foi antes de mais nada um aprendizado”, acentua. Mesmo porque, são personagens que fazem parte de uma geografia humana e urbana ao mesmo tempo. E ler livro é fazer uma delicioso passeio pela Rua da Aurora, Conde da Boa Vista, Dantas Barreto, Pátio de São Pedro, Pracinha do Diário e tanta coisa pare rever ou, se for o caso de marinheiro de primeira viagem, descobrir.

Para Rennat Said, a alma da capital pernambucana não está em suas edificações históricas ou nos pontos turísticos. Ele acredita ser possível extrair a memória mais genuína da cidade dos cidadãos que nela vivem. É essa noção que guia o livro. Uma obra que não chegou, ainda, no papel. Mas sua versão ebook tem sido baixada por quem traça uma viagem imaginária para fazê-la depois real.

A obra, uma iniciativa totalmente independente, é classificada pelo autor como “uma biografia da rua através das histórias de 20 personagens”. Ao longo de vários anos, Rennat entrevistou alguns dos mais interessantes personagens que já povoaram a região central do Recife e suas adjacências. E foi desses encontros que ele extraiu a base para os textos que compõem Recife em Carne e Osso.

Fazem parte da compilação de histórias algumas personalidades conhecidas, como o poeta Miró da Muribeca e o pesquisador Liêdo Maranhão. Outros, são figuras populares, mas não menos interessantes, como Jonh Lennon do Recife e Lampião do Cordel.

“Sempre gostei muito do Centro do Recife e me identifiquei com esses personagens, muitos deles invisíveis para a maior parte da sociedade. São pessoas da rua e, se você fizer um mapa, cada uma delas pertence a um trecho da cidade, como o Pátio de São Pedro e a Rua da Saudade. É a rua em movimento”, enfatiza Rennat.

O autor ressalta a influência de Liêdo Maranhão, que faleceu em 2014, para a realização do projeto. “Durante dois anos, frequentei a Casa da Memória Popular e tive uma convivência muito grande com ele. Depois dessa amizade, fiquei com ainda mais vontade de mostrar o Recife através desses andarilhos”, aponta o escritor, que já trabalha em um segundo volume da obra, só com mulheres desta vez.

Os textos são acompanhados por ilustrações de cada entrevistado, todas assinadas por Ricardo da Cunha Melo. Os exemplares virtuais do livro podem ser solicitados através do e-mail [email protected] ou pelas redes sociais do autor.

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