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Relembrando oficinas de escrita
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Quando a saudade bate, abro meus blogs para garimpar textos produzidos por colegas de escrita. Hoje, rememorei uma oficina realizada em 2020 e da qual participaram, entre outros, Clara Amélia de Oliveira, Gilberto Motta, Marlene Xavier Nobre e eu (Edna Domenica). O desafio proposto na oficina foi a escolha de uma palavra significativa na infância, para criar um texto a partir dela.
MOVIMENTO, Edna Domenica
Eu vou levando
Com a calma rotineira
Com as mãos vou acenando
Acariciando o luar
Vou pesquisando
Com curiosidade faceira
Com o grupo partilhando
Aprendendo a cantar.
EM MOVIMENTO (Letra de composição musical), Gilberto Motta
Vamos remando
Se com barcos barqueando
Se com braços bracejando
Desafiando o flutuar
Vamos sonhando
Se com versos versejando
Se com pragas praguejando
Contra quem não quer pulsar
Vamos rezando
Língua solta estradando
Destilada na maneira
da nossa alma sangrear
Vamos correndo
Tropeçando movimento
Braço a braço monumento
Livre piroletear
Que giro é este?
Corpo torto zunzonzeira
Que trava trevas canseira
Pernas a fricotear
Virá o dia: destrambelhada carreira,
em que o passo descompasso
mundo redemoinhará
RATATUIA, Marlene Xavier Nobre,
Uma ratatuia invadiu aquele Palácio sombrio
O povo eclodiu,
ninguém sorriu.
Ficamos a ver navios
Cheios de dor, de frio e de calafrios.
Naquela rampa se esconde uma corja:
Verdadeira ratatulha
Contra a qual não há patrulha.
Sem molho, sem emoção,
aqui nessa nação (onde não tem pão)
todos gritam e ninguém tem razão!
· Ratatuia ou “ratatulha” é o termo popular que ouvia, em criança, em Floripa, aplicada a pessoas que não eram boas. Ao escolher essa palavra tinha em mente a situação política do país, em 2020.
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Referência
Edna Domenica https://aquecendoaescrita.blogspot.com/2020/08/encontro-de-18082020.html
EDNA DOMENICA Desenvolveu pesquisa sobre as aplicações do Psicodrama em oficinas de escrita criativa, parcialmente publicadas em Aquecendo a produção na sala de aula (Nativa, 2001) e de Relógios de Memórias – cartas de uma artesã da escrita (Postmix, 2017). É autora de poemas: Cora, coração (Nova Letra, 2011) e de ficção em prosa: A volta do contador de histórias (Nova Letra, 2011), No ano do dragão (Postmix, 2012), De que são feitas as histórias (Postmix, 2014), As Marias de San Gennaro (Insular, 2019), O Setênio (Tão Livros Editora, 2024). Participou de várias coletâneas das quais ressalta as que comparece como organizadora: Tudo poderia ser diferente, inclusive o título (Amazon e-book, 2022) e Do corpo ao corpus (Rocha Soluções Gráficas, 2022). É coautora de Rapsódia da rua da Mooca (Tão livros, 2026, Eduardo Martínez, Gilberto Motta, Marlene Xavier Nobre, Rosilene Souza).
GILBERTO MOTTA nasceu e cresceu em um pequeno circo-teatro no interior de São Paulo. Formou-se em Jornalismo e virou repórter de rádio e TV, escritor e professor universitário. É professor-mestre e aprendiz da vida. Rodou mundos e, aposentado, vive em 2025, numa cabana que fica numa pequena pousada na Guarda do Embaú, SC. Publicou textos nas coletâneas: Tudo poderia ser diferente, inclusive o título (Amazon e-book, 2022), Do corpo ao corpus (Rocha Soluções Gráficas,2022). É coautor de Rapsódia da rua da Mooca (Tão livros, 2026).
MARLENE XAVIER NOBRE gosta de lembrar de sua participação, em 2016, em oficinas de criação literária que utilizava recursos como a dança grupal e espontânea ao som de músicas clássicas. Em 2017, logo após participar de uma coletânea organizada pela ministrante das oficinas (Edna Domenica), lançou seu primeiro livro solo: A meus queridos netos – cartas (Postmix, 2017). Em 2020, lançou, seu segundo livro solo: Lembranças e esperanças de uma mulher. Em 2022, participou das coletâneas: Tudo poderia ser diferente, inclusive o título (Amazon e-book, 2022) e Do corpo ao corpus (Rocha Soluções Gráficas, 2022). É coautora de Rapsódia da rua da Mooca (Tão livros, 2026).