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Paraná

Renato Freitas e o preço de enfrentar privilégios

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@donairene13 - Foto Arquivo

O Conselho de Ética da Assembleia Legislativa do Paraná aprovou a cassação do deputado Renato Freitas sob a alegação de quebra de decoro parlamentar. A justificativa formal gira em torno de uma confusão ocorrida na rua. Mas ninguém minimamente atento ao cenário político acredita que a questão seja apenas essa. Renato incomoda porque é um parlamentar combativo, que enfrenta privilégios, denuncia abusos e se recusa a moldar sua atuação para agradar os grupos tradicionais de poder. Em ambientes políticos acostumados à complacência e aos acordos silenciosos, quem confronta estruturas costuma virar alvo.

É impossível ignorar também o componente racial e ideológico dessa perseguição. Renato Freitas é um homem negro, de esquerda, oriundo de movimentos sociais e que ocupa espaços historicamente reservados a perfis muito diferentes do seu. Sua presença provoca desconforto justamente porque rompe padrões. O rigor seletivo aplicado contra ele escancara uma lógica cruel: determinados parlamentares podem protagonizar escândalos, responder a denúncias graves e continuar preservados politicamente, enquanto outros são tratados como ameaça permanente. Quando a punição parece depender mais de quem a pessoa é e do que representa politicamente do que dos fatos em si, o debate deixa de ser jurídico ou ético e passa a ser profundamente político.

Se a cassação de Renato Freitas for confirmada, o episódio entrará para a história como uma das páginas mais vergonhosas da política paranaense recente. Não porque parlamentares não devam responder por seus atos, mas porque o contraste será inevitável diante de tantos outros políticos comprovadamente envolvidos em corrupção, desvios e escândalos muito mais graves que jamais perderam seus mandatos. A mensagem transmitida à sociedade será devastadora: no Brasil, muitas vezes não é a gravidade do ato que define a punição, mas sim o incômodo político que determinada figura causa ao sistema.

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