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Caso do chiclete

Rodrigo Castanheira completaria 17 anos sob clamor por justiça

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Autor/Imagem:
Bartô Granja - Foto Arquivo

O silêncio provocado pela ausência de Rodrigo Castanheira tornou-se ainda mais ruidoso nesta quinta-feira, 30 de abril de 2026. Se a trajetória do adolescente não tivesse sido interrompida de forma violenta no início deste ano, ele estaria celebrando hoje o seu 17º aniversário ao lado de amigos e familiares no Distrito Federal.

A data, que deveria ser de festa, foi marcada por homenagens carregadas de dor nas redes sociais. Rejane Fleury, mãe de Rodrigo, expressou o sentimento de vazio que consome a família desde janeiro, afirmando que seu coração está em pedaços e que a alma já não comporta tamanha dor pela falta do filho.

Isabella, irmã do jovem, também utilizou as plataformas digitais para lembrar o irmão, a quem descreveu como sua “maior realização” e motivação diária. Em seu desabafo, ela ressaltou que Rodrigo foi vítima de uma emboscada brutal motivada por ciúmes de um colega de classe, impedindo-o de chegar à marca dos 17 anos.

Enquanto a família vive o luto, o processo judicial contra o agressor avança na capital federal. A Justiça do Distrito Federal já agendou para o dia 25 de maio a primeira audiência de instrução e julgamento do caso, momento em que provas serão analisadas e testemunhas serão ouvidas formalmente.

O réu no processo é o ex-piloto Pedro Arthur Turra Basso, de 19 anos, que está detido no Complexo Penitenciário da Papuda desde o dia 2 de fevereiro. Ele foi denunciado pelo Ministério Público por homicídio doloso qualificado por motivo fútil, após as agressões resultarem na morte do adolescente.

O crime ocorreu na madrugada de 23 de janeiro, em Vicente Pires. De acordo com a denúncia do Ministério Público, o ex-piloto teria ido a uma festa de aniversário com a intenção deliberada de iniciar um confronto, motivado por uma rixa anterior com Rodrigo ou para tirar satisfações em nome de um amigo.

O estopim imediato para a violência física teria sido uma discussão em via pública, durante a qual o acusado cuspiu no rosto de Rodrigo. Após o gesto de desrespeito, Pedro Turra desceu de um automóvel e desferiu múltiplos socos contra o rosto e a cabeça do adolescente, que não teve chances de defesa.

Rodrigo Castanheira foi socorrido e deu entrada no hospital com um quadro gravíssimo de traumatismo cranioencefálico. Ele permaneceu 16 dias em coma induzido, lutando pela vida em uma unidade de terapia intensiva, mas não resistiu à gravidade das lesões e faleceu no dia 7 de fevereiro.

Logo após o episódio de violência, o agressor chegou a prestar depoimento alegando que não tinha a intenção de causar ferimentos graves na vítima. Ele foi inicialmente solto após pagar uma fiança superior a 24 mil reais, mas retornou à prisão poucos dias depois por suspeita de interferência nas investigações.

Durante mandados de busca e apreensão realizados na residência do acusado, a Polícia Civil localizou itens perigosos, incluindo facas e um soco inglês. Esses elementos, somados ao comportamento prévio à agressão detalhado nas mensagens enviadas à namorada, reforçaram a tese de premeditação da briga por parte do MP.

Atualmente, Pedro Turra cumpre prisão preventiva em uma cela individual na Papuda, medida adotada após relatos de ameaças vindas de outros detentos e até de policiais. Diversos pedidos de habeas corpus apresentados pela defesa do ex-piloto foram negados pela Justiça ao longo dos últimos meses.

Com a confirmação do óbito do adolescente, o Ministério Público reclassificou a investigação, que antes tratava de lesão corporal gravíssima, para o crime de homicídio com intenção de matar. A acusação sustenta que o réu agiu com dolo, assumindo o risco do resultado fatal ao desferir golpes em áreas vitais.

Além da punição criminal, o órgão ministerial pleiteia que o acusado seja condenado a pagar uma indenização de 400 mil reais à família de Rodrigo por danos morais. O valor busca reparar, dentro do possível, os danos psicológicos causados pela perda prematura e violenta do jovem.

A audiência marcada para o final de maio é aguardada com expectativa pela comunidade local, que se mobilizou em torno do caso desde as primeiras notícias da agressão. O rito processual é visto como um passo fundamental para que a justiça seja aplicada e para que a memória de Rodrigo seja respeitada.

A tragédia que vitimou o adolescente serve como um alerta amargo sobre a letalidade da violência banal em ambientes de convívio jovem. O motivo fútil apontado pelo MP — o cuspe após uma discussão de rua — encerrou o futuro de um rapaz que tinha toda uma vida acadêmica e pessoal pela frente.

Neste 30 de abril, as velas que deveriam estar em um bolo de aniversário foram substituídas por preces e pedidos de paz. O rosto de Rodrigo Castanheira estampa agora cartazes e perfis digitais, simbolizando a luta de uma família que se recusa a deixar que o crime caia no esquecimento.

A saudade manifestada pela mãe e pela irmã de Rodrigo reflete a dor de centenas de brasilienses que acompanharam a agonia do jovem no hospital. Para eles, a justiça não trará Rodrigo de volta, mas é o único caminho para atenuar o sentimento de impunidade que muitas vezes acompanha crimes dessa natureza.

O aniversário de 17 anos de Rodrigo ficará marcado não pelos presentes recebidos, mas pela força de seu legado e pela união de seus entes queridos em busca de resposta. Vicente Pires, o local do ocorrido, guarda hoje a lembrança de um dia fatídico que mudou para sempre a trajetória de duas famílias e chocou todo o Distrito Federal.

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