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Câmara Legislativa

Saber é de fachada, e futuro, uma dúvida atroz

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Autor/Imagem:
Carolina Paiva - Foto de Arquivo

Na fachada da Câmara Legislativa, o slogan reluz como promessa de campanha em véspera de eleição: “Educação e desenvolvimento. Onde tem saber, tem futuro.” Uma frase bonita, redonda, quase pedagógico. Pena que, do lado de dentro, o verbo aprender parece conjugar-se no pretérito imperfeito, justamente aquele tempo que nunca se completa.

O eleitor brasiliense, calejado de slogans que cabem melhor em outdoor do que na vida real, começou a coçar a cabeça. A pulga atrás da orelha não é metáfora gratuita, mas reação a um descompasso crônico entre o que se anuncia e o que se entrega.

Dirigentes da Casa falam em saber, mas tropeçam no básico: planejamento, transparência, prioridade. Fala-se em futuro, mas insiste-se em um presente que não aprende com os próprios erros.

Sob a batuta de Wellington Luiz (MDB) com a participação direta de Ricardo Vale, a Casa do Povo tem sido mais um laboratório de retórica do que um centro de soluções. O script é conhecido com seus discursos afinados, diagnósticos corretos, aplausos protocolares. Enquanto isso, a realidade, teimosa, desafina lá fora. Porque quando a prática não acompanha a teoria, o slogan vira peça de ficção institucional.

Educação, dizem, é a chave do desenvolvimento. Concorda-se. Mas educação também exige método, avaliação e, sobretudo, coerência. Não há pedagogia possível quando a sala de aula é substituída por palanque e o quadro-negro vira painel de autopromoção. O resultado é um sistema que fala de futuro sem conseguir responder ao presente, com filas, carências, prioridades invertidas.

A ironia é que a própria frase da CLDF cobra aquilo que lhe falta. “Onde tem saber, tem futuro.” Pois bem: onde falta gestão, falta futuro; onde sobra marketing, falta entrega; onde há ruído político, some o conteúdo. E o eleitor, que não é aluno passivo, aprende rápido, principalmente na hora de votar.

Se o roteiro não mudar, outubro poderá trazer surpresas desagradáveis para quem vive às custas do povo. Pode ser a prova final de uma legislatura que preferiu a estética da promessa à ética do resultado. E aí, não há slogan que recupere a nota do careca da Polícia Civil e do menino do sobrado, também conhecido como a serra do rola-moça.

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Carolina Paiva é Editora do Quadradinho em Foco

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