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Cozinho, logo existo

Salvatore Loi está chegando para ordenar as mesas

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Foto/Imagem:
Malu Oliveira/Com O Brasiliense - Foto/Dvulgação

Salvatore Loi passa o dedo no centro dos seus óculos de grau, o ajusta em seu rosto e olha atentamente para a equipe de reportagem. Em seguida, baixa a máscara de proteção facial (cuidados da pandemia), pega uma xícara com café que está à sua frente e beberica lentamente, como se buscasse sentir com calma o sabor da iguaria. Recoloca a máscara no rosto e, de repente, dispara: “Vamos começar?”

E ele começa: “Cozinhar é amar o que faz, non solamente técnica”, “quero ajudar a formar memória gastronômica afetiva nas pessoas com mia culinária, non solamente apresentar pratos”. Por mais que Salvatore Loi viva no Brasil há 22 anos, as sílabas seguem carregadas de sotaque italiano. E não só as sílabas, o seu jeito de cozinhar, segundo ele mesmo, continua italianíssimo. “Cozinhar é mia vida”, “trago aos meus pratos toda a cultura italiana”, continua o renomado chef.

E ele faz uma breve viagem rumo ao passado, narrando sua história para esta reportagem, quase ignorando o calor intenso que tomava conta do café onde entrevista aconteceu. Brasília está um forno. Neste meio de manhã de setembro – talvez pelo longo tempo sem chuva – o ar quente abraça ainda mais a capital do Brasil. Isso incomoda o chef? Que nada… Ele continua intensamente uma prazerosa explicação sobre a origem da essência de sua cozinha.

E por falar em intensidade, Loi não para. Em São Paulo, de modo (quase) full time, se dedica ao MoMA Modern Mamma Osteria, seu premiado restaurante nos endereços do Itaim e Pinheiros. E agora em Brasília, ele passa a comandar o Ristorante Loi Salvatore. Se não está em um desses três endereços, provavelmente está em alguma cozinha dando a vida a novos sabores por meio de técnicas culinárias herdadas de sua raiz italiana, da qual tem grande orgulho.

Cozinha esta que Loi já brindou Brasília no passado. É que Salvatore trabalhou em vários hotéis e restaurantes da Europa até vir ao Brasil, onde esteve à frente do Grupo Fasano por 13 anos. Foi chefe executivo de todas as operações, inclusive a do Gero Brasília.

Raízes italianas
Cada palavra e cada lembrança de Loi são fundamentais para compreender o estilo de sua cozinha. Trata-se de uma das principais culinárias do Brasil e que agora abrirá suas portas em Brasília com o Ristorante Loi Salvatore. E o que ele trará na bagagem? Toda sua raiz, o jeito especial italiano de cozinhar e um espírito imbatível quando o assunto é contribuir com os produtores locais.

“No Ristorante Loi Salvatore os brasilienses terão contato direto e real com a culinária italiana. Colocarei toda a alma no que diz respeito à cultura gastronômica italiana. Com isso eu ajudarei a criar uma memória gastronômica afetiva nas pessoas por meio dos meus pratos, da minha culinária”, afirma.

E não apenas isso. Loi é um colaborador nato do mercado gastronômico. Por onde passa ele contribui com dicas aos produtores sobre o melhor tamanho da alface, a melhor forma de cultivar, etc.

“Essa é minha forma de ajudar. Mergulharei na produção local, ajudando no produto, melhorando o leque de produtos, com dicas, toques e muita experiência que tenho para passar aos fornecedores”, diz. Ganha o mercado gastronômico de Brasília, ganham os produtores locais, ganham os brasilienses. E por falar em brasilienses…

Quase um brasiliense
Salvatore Loi tem uma história de amor com Brasília. Literalmente. Ele vinha com muita frequência à capital para descansar e trazer sua esposa para visitar os familiares. Isso há 22 anos. Neste particular, ele argumenta: “Tenho raiz em Brasília, minha esposa é daqui. Meu primeiro contato com o Brasil, inclusive, foi em Brasília”, diz. E ele lembra com carinho, inclusive, de seus primeiros contatos com a capital: “Viajei muito pela antiga Varig e pela Vasp, lembra delas? Naquela época não havia voo direto de Brasília para a Itália. Tinha que ser pelo Rio. Então a minha vida era na conexão Roma-Rio e Rio-Brasília”, lembra com carinho.

E por falar em carinho, foi com grande carinho que o chef Salvatore Loi preparou um menu especial para os brasilienses. E qual será o prato carro-chefe da casa, chef Salvatore Loi? “A lasanha que montei pode vir a ser um carro-chefe, mas também destaco o risoli e as carnes, muito focadas no sabor e no ponto de cozimento”.

Loi sempre se destacou na criação de pratos autorais e inovadores – tal característica já o trouxe, inclusive, diversas premiações em São Paulo. Aqui em Brasília, em seu Ristorante Loi Salvatore, o mestre da culinária italiana poderá ser visto trabalhando na cozinha de finalização separada do salão por um vidro. Sortudos os futuros clientes do Ristorante Loi Salvatore.

Questão de existência
Observar Loi enquanto ele navega nas histórias do seu passado e enquanto ele busca as melhores palavras para narrar sua experiência com a cozinha, é ter uma certeza: ele nasceu pra isso. Estamos certos, Loi? “A cozinha é tudo na minha vida, tenho prazer pelo trabalho, tenho paixão pela gastronomia, são horas e horas da minha vida de trabalho na cozinha”, ele diz.

E as pessoas mais próximas a você entendem essa dedicação? “Quem está próximo de mim sabe a importância da cozinha na minha vida. A minha esposa, por exemplo, é parte importante disso. Ter uma pessoa que te protege e te dá uma estrutura é tudo. A minha esposa é essa pessoa que me dá apoio em cada momento”, arremata.

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