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Brasília

Se beber não case, porque Carnaval não é em maio

Foto: Fábio Motta/EstadãoConteúdo
Eduardo Monteiro

A história nos mostra que nas sociedades tribais antigas, por exemplo, o casamento era uma forma de estabelecer alianças e conquistar aliados. Até o século XI, os casamentos eram arranjados pelas famílias dos noivos, com a intenção de promoverem casamentos entre famílias com posses maiores ou de tamanho similar.

O consentimento por parte dos próprios noivos só passou a fazer parte da tradição a partir de 1140, com o Decreto de Graciano. Ou seja, só a partir do século XII, o “aceito”, virou condição para que o casamento fosse realizado.

Hoje em dia é quase impensável o ato de alguém obrigar uma pessoa a se casar. Ainda mais duas. Mas na política e no Carnaval, as coisas não têm necessariamente um compromisso com a realidade. No Carnaval, porque a fantasia e a ilusão fazem parte da festa. Já na política, quase sempre o fim justifica os meios. E os políticos, em geral, são capazes das maiores loucuras por conta de seus devaneios, como tentar chegar à Presidência da República, sendo conhecido – e mal – apenas em sua própria cidade.

Alheios à vontade dos “noivos”, nasceu a ideia e vem sendo conduzida a união relâmpago e inesperada entre Brasília e a escola de samba Vila Isabel. Dá para medir o descontentamento de torcedores e integrantes da escola carioca, com a forma como as coisas vêm sendo conduzidas. Basta ler os comentários das matérias publicadas, sobretudo nos sites especializados em carnaval, como são exemplos o SRZD e O Carnavalesco, do grupo O Dia.

Em Brasília também há muitos interessados. A população e integrantes das escolas de samba locais, bem como especialistas no assunto, não foram sequer consultados. O “pai da noiva” Brasília, governador Ibaneis Rocha (MDB), com certeza não cumprirá a promessa que fez, de pagar o dote até do próprio bolso, se preciso for, pois pode até dizer muita coisa, mas não é maluco.

Quando bate no próprio bolso e alardeia que vai pagar com seu dinheiro, isso é só uma figura de retórica, pois sabe que seria alvo fácil para uma eventual perda de mandato, porque estaria desobedecendo o artigo 37 da Constituição Federal e também o artigo 11 da Lei da Improbidade.

Quando Brasília completou 50 anos, a homenagem com um enredo de escola de samba foi pra lá de justificável. Afinal, não se completa meio século a todo instante. Mas 60 é igual a 70, 80… No centenário de Brasília é justificável, desejado e esperado. Mas só porque a cidade nasceu do sonho profético de Dom Bosco, tem gente achando que pode realizar qualquer devaneio apoteótico a seu gosto.

A Secretaria de Cultura do Distrito Federal, avaliam entendidos no assunto, deveria dar mais atenção à produção local. Manter vivo (e não cancelar) o FAC, principal meio de fomento de artistas e produtores; qualificar e capacitar integrantes de entidades culturais, como as próprias escolas de samba. Mas não de forma meia boca como foi anunciado, por meio de palestras.

Nada disso. É preciso a implantação de um projeto pedagógico sério de médio prazo, com uma grade curricular elaborada por especialistas. Com a inclusão da Fábrica Social, escolas de samba locais e tudo mais. Aí, sim, Brasília pode virar a ser tema carnavalesco. Enquanto isso, a sociedade vai dando gargalhadas com produções hollywoodianas, do tipo Se beber, não case.

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