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Brasil x Noruega

Seleção quer quebrar remos, afundar barcos e invadir a praia viking

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Autor/Imagem:
Armando Cardoso - Foto de Arquivo

Contra tudo e atrapalhando os planos políticos daqueles que já ensaiavam o discurso de que a Seleção Brasileira desclassificada era reflexo do governo do presidente Lula da Silva, o escrete canarinho superou as dificuldades iniciais e deu a volta por cima. Engolindo, sem mastigar, uma pratada de sushi com sashimi, mostrou ao Brasil da alegria e ao mundo da paz que o caminho do hexa não está mais tão distante. Tudo dependerá de apenas dois gestos simbólicos e metafóricos, mas de grande valia para os meninos da “amarelinha”: quebrar o remo e afundar os navios vikings, os quais combinavam a força das velas com fileiras de remos.

Para os desavisados ou deliberadamente esquecidos, na cultura nórdica vikings representam a marca cultural e orgulho nacional dos noruegueses, adversários do guerreiro Brasil nas oitavas de final da 23ª. Copa do Mundo. Provando aos críticos que no futebol não existe roteiro definido, tampouco final gravado antecipadamente, nossos “canarinhos” deixaram de respirar por aparelhos, pois também sabem remar contra a maré e contra as adversidades. Eles quase foram barrados no baile, mas, após vencerem os bons japoneses por 2 a 1, já pensam em colorir Nova Jersey de verde e amarelo, viver, sonhar e, com mais tranquilidade, dar um nó de marinheiro em Halland, tido como o príncipe da Noruega.

Que venha Erling Halland e sua trupe. A tropa “canarinho” fará a turma que não pega sol dançar sobre a poeira em alto mar. Como diriam os brasileiros menos negativos, mas felizes e, principalmente, mais esperançosos, a festa continua. E continua com a certeza de que, a exemplo da política, ninguém vence coisa alguma se não tiver força, fé, coragem, vontade, empatia e, sobretudo, apoio maciço dos torcedores ou eleitores. Ou seja, acabou aquela história de que o peso da camisa ou o “carisma” do chefe de uma família são suficientes para ganhar a Copa ou uma eleição.

À medida que nos aproximamos da reta final do torneio intercontinental, naturalmente os adversários são mais pesados, têm mais competência e, consequentemente, mais difíceis de serem ultrapassados. Como o mundo tem olhos até nas frestas, desde a vitória diante da Escócia temos enfrentado os jogadores oponentes e, principalmente, os assopradores de apito. Foi assim no gol anulado do Vini Júnior e foi assim nas numerosas faltas duras não marcadas pelo apitador de segunda-feira. Que seja diferente no domingo (5), dia da partida para as quartas-de-final.

A nosso favor, além da técnica apurada de alguns astros, tivemos a sorte. Que bom, pois, como imortalizou Nelson Rodrigues, com sorte podemos atravessar o mundo. Entretanto, sem ela não conseguimos sequer atravessar a rua. Domingo é dia de “morrer” de alegria ou de chorar de tristeza. Como para os brasileiros domingo é dia de festa, que nossa felicidade seja extrema. Para os que torcem pelo futuro do país sem a necessidade de se apegar ao nebuloso passado político ou à vitoriosa história do futebol, vencer ou perder faz parte da disputa.

Tomara que os meninos de Ancelotti elevem o verde e amarelo ao topo do pódio. O título seria relevante, significativo, valioso, mas não vital. Ninguém morrerá caso o hexa não venha dos Estados Unidos. Não sei se me entendem, mas importante mesmo, quase fundamental, é que venha o tetra no Brasil. Será o presente de Natal para milhões de brasileiros que admiram mais os gênios do que os mitos. Quanto à Seleção Nacional, tudo é possível para quem sabe perder e para aqueles que acreditam, têm entusiasmo, sonhos e paixão. Para o povo da paz, o Brasil continuará sendo o ano inteiro um primeiro de abril. Sobre a paixão, sem ela não dá nem para chupar picolé. Se acheguem, meus caros vikings. Nossa canoa não vai virar, olê, olê, olá. Venham quem nós vamos invadir sua praia.

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Armando Cardoso é presidente do Conselho Editorial de Notibras

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