Direito de existir
Sentar no banco da praça
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Sentar em um banco de praça e tomar um sorvete parece um gesto simples. Mas quase nada na vida urbana é realmente simples.
Há o corpo que chega cansado, atravessado por horas de trabalho, por deslocamentos longos, por pensamentos que não cessam. Há o banco público, mas nem sempre acolhedor. Há o olhar dos outros, sempre presente, mesmo quando ninguém diz nada.
A cidade, como lembra Henri Lefebvre, não é apenas um espaço físico, mas uma produção social. Sentar em um banco é também reivindicar o direito de existir naquele espaço sem pressa, sem função, sem justificativa.
Tomar um sorvete no meio do dia, sozinho, pode ser um pequeno gesto de autonomia. Um intervalo na lógica produtiva. Um momento em que o corpo não precisa produzir, apenas estar.
Talvez a liberdade também seja isso: poder parar sem pedir permissão.