Curta nossa página
Dutch   English   French   German   Italian   Portuguese   Russian   Spanish


Sinais da paz

Sinos dobraram com pesquisas; agora é só correr para o abraço

Publicado

Foto/Imagem:
Mathuzalém Júnior* - Foto Ricardo Stuckert

Aprendi com o tempo a esperar pelos fatos antes de qualquer decisão. Em outras palavras, jamais coloque a carroça à frente dos bois. Apesar da certeza de que cautela, canja de galinha e chá de camomila não fazem mal a ninguém, diz o ditado que é melhor prevenir do que remediar. Melhor ainda é não cantar vitória antes do tempo. De posse de todos esses aconselhamentos, o ideal é aguardar a noite de 2 de outubro. Que a expectativa seja transformada em sensatez e que a ansiedade dê lugar à positividade de pensamento. Tudo isso para dizer que, embora os últimos números sejam pra lá de definitivos, é de bom alvitre calçarmos a sandália da humildade. Pregam os pensadores que ser humilde com os superiores é obrigação, com os colegas é cortesia e com os inferiores é nobreza.

Claro que não estamos tratando de superioridade ou de inferioridade. Refiro-me à falsa humildade, que é tão perigosa como a arrogância. Isso aconteceu com o outro lado. Estão a um degrau da derrota por conta de tanta petulância, desaforamento, desrespeito, insolência, presunção, recorrentes abusos e cabotinismo exagerado. Perderão a reeleição, mas jamais se curvarão à rejeição que rejeitam apenas porque acham que ela é inventada. Quanto à humildade, esta é virtude que nunca tiveram, a começar pelo cidadão a quem chamam de mito. Poderia ter sido, mas preferiu ser vilão, descortês, grosseiro, antissocial e, principalmente, antidemocrático. Sua insistência em atacar pessoas e instituições como o sistema eleitoral brasileiro lhe custou a continuidade.

Deixando de lado os entretantos e considerando que não há mal que dure para sempre, o fechamento das urnas, a contagem dos votos e o anúncio do vencedor dessa tumultuada eleição presidencial certamente nos dará um novo rumo, a ser iniciado na manhã de 1º. de janeiro de 2023. Até lá, a ordem é enfrentar, sem ódio ou violência, o esperneio e as recorrentes ameaças daquele que foi sem nunca ter sido. Com os números da pesquisa de intenção de votos divulgada na noite dessa segunda-feira (26), os sinos definitivamente dobraram e o eleitor já escuta os sinais da paz, da liberdade e da esperança.

De minha parte, também espero por ações. E que sejam ações sem cor, ideologia ou religião. O vencedor terá de reconhecer que o brasileiro é um povo único. Voltando aos dados, 48% de Luiz Inácio contra 31% de Jair Bolsonaro significam que, na semana decisiva da eleição, o eleitor está mais atento, preocupado e decidido a resolver a disputa já no primeiro turno. É essa a tendência. Como os quocientes revelam ainda que a tese do voto útil será fundamental para isso, Lula subiu mais um ponto e Ciro Gomes perdeu mais um. Além da nova mentalidade eleitoral, a pesquisa mostra a consolidação do voto no ex-presidente. São as flores da primavera ocupando o espaço dos espinhos acumulados nesses últimos três anos e dez meses.

Como diria um velho amigo das redações, falta pouco para a terra voltar a ser redonda. Obviamente que, apesar do otimismo dos números, nada está consolidado. No entanto, valho-me da máxima de que não votamos para moldar presidente, mas para escolher o que melhor poderá nos representar. Com seu despreparo político e desinteligência administrativa, o atual presidente teve a proeza de ressuscitar Lula da Silva. Está pagando por isso. Parece que o eleitorado estava saudoso de um governo mais dinâmico, arrojado e, sobretudo, popular.

Basta de um governante brigão, ameaçador e que odeia o próximo indistintamente. A decepção com o modo de ser de Jair Messias me faz crer que a maioria do povo brasileiro vai optar pelo candidato da coesão, do diálogo, da recuperação da paz e do retorno do Brasil ao cenário internacional como protagonista. Chega de ser pária. Sejamos sempre humildes, mas nunca esqueçamos do que somos e do quanto valemos. A humildade é a parte mais bela da sabedoria. Por isso, não custa afirmar que, nessa altura do jogo, não tem mais choro e nem vela. É correr para o abraço.

*Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

Publicidade
Publicidade