Simbolismo
Soneto de um pai
Publicado
em
Vê-la crescer, florir — viço e perfume;
Já sorri; quer falar; tartamudeia;
Diz “mamãe” e “papai” sufoca o ciúme.
Os dentinhos lhe vêm. Anda. Chilreia.
Traz a casa de risos sempre cheia.
Vai ao colégio, mas com azedume.
Aborrece as bonecas. Cresce alheia
À formosura e à graça que resume.
De moça tem cismas e alvoroços.
Põe vestidos compridos; fala pouco,
Suspira, sonha, anseia e pensa em moços.
Vê-la como fulgura numa sala…
Envaidecer-me e… chorar como um louco
Quando o noivo vier arrebatá-la!
……………………………..
Marcelo Gama é o pseudônimo literário de Possidônio Cezimbra Machado, nascido em Mostardas, cidade litorânea do Rio Grande do Sul, no dia 3 de março de 1878. O poeta, dramaturgo e jornalista morreu no Rio de Janeiro, a 7 de março de 1915, depois de cair de um bonde, no bairro Engenho Novo.