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ET's etc

Spielberg começa a ficar nostálgico com Dia D

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Ray Cunha - Foto Divulgação

A marca mais característica dos grandes artistas é que eles estão sempre criando, igual Picasso, que, aos 91 anos de idade, não parava de criar, até morrer, pintando, desenhando e esculpindo. Há artistas que veem que não têm mais nada para criar e param, caso da banda The Beatles, que durou oito anos (1962-1970), quando cada um dos quatro rapazes de Liverpool tomou seu rumo e, dos quatro, John Lennon e George Harisson se mostraram individualmente os mais criativos. Há, também, gênios, que, a partir de determinado momento, começam a se repetir, como Roberto Carlos, por exemplo.

No cinema, gênios como Federico Fellini criaram até morrer. Quentin Tarantino é outro gênio deste tipo, ainda em plena criatividade. E há cineastas que se repetem. Repetir-se, todos nós, artistas, nos repetimos, pois a vida em si é uma sequência de repetições. Mas podemos criar dentro da repetição, fazer descobertas e vislumbrar novas possibilidades. Dia D, novo filme de Steven Spielberg, é um filme que o grande diretor americano já tinha feito.

Trata da questão de vida inteligente fora da Terra. Spielberg já deveria saber, nestas alturas do campeonato, que é impossível que uma raça inteligente com corpo material viaje pelo Cosmos, ou mesmo venha de algum ponto do nosso sistema solar, porque as distâncias e limitações da matéria – como a luz, limite para velocidade –, e radiações cósmicas, tornam viagens espaciais impossíveis. Assim, só é possível uma civilização planetária visitar outra se aquela habitar uma quarta dimensão. O que se sabe é que, na nossa dimensão, nem sons de uma possível civilização de outro sistema solar ou galáxia chegam à Terra.

Outra coisa, os ETs de Spielberg são feios demais. O ET exibido no fim do filme, caneludo, olhudo, é aterrorizante. E os bichinhos berrando, sendo cortados por cientistas, é pior ainda.

Spielberg optou por uma fotografia dos anos 1970, reportando-se, provavelmente, ao Caso Roswell, incidente ufológico ocorrido em julho de 1947, no Novo México (EUA).

Nostalgia pura. Vejam bem, nostalgia não é ruim. É apenas picle.

Dia D tem sequências inverossímeis, quando sai do filão ET e Spielberg cai em Harrison Ford de Caçadores da Arca Perdida. O ator Josh O’Connor, que interpreta Daniel Kellner, especialista em segurança cibernética e paranormal, quase põe 007 no chinelo.

Mas para alicerçar a presença de ETs e a ação, Spielberg trabalha com um tema que coloca Dia D na estante de Spielberg: a revelação de que não estamos sós no Universo mudará os paradigmas da raça humana. Mentiras existenciais desabarão, guerras cessarão e o amor fluirá. A ideia de que ETs possam invadir a Terra para destruir a raça humana é coisa de Hollywood. Aliás, a narrativa hollywoodiana da história da Humanidade é absolutamente mentirosa. Criativa, digamos assim.

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