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Déficit habitacional

Tem muita gente querendo casa para pouco teto em Brasília

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Autor/Imagem:
Brenda Abreu

Aos 50 anos, Evaneide Silva Oliveira Dourado passou por muitas dificuldades até conseguir sua própria casa. Nasceu em Rui Barbosa (BA) e veio para Brasília em 1992, com um objetivo conhecido por muitos retirantes: buscar um emprego para lhe trazer melhores condições de vida. Oportunidade de trabalho e acesso aos serviços públicos são os principais fatores que atraem pessoas a a virem para a capital da República.

Com mais de três milhões de habitantes, Brasília, englobando as cidades-satélites, o Distrito Federal está entre as principais capitais do País. Quase metade da população é de migrantes de outros estados, segundo dados divulgados em 2017 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para uma cidade que foi planejada para 500 mil habitantes, o crescimento desordenado populacional traz desafios. E a falta de moradia é um deles.

As dificuldades financeiras fizeram com que Vânia, apelido com que gosta de ser chamada, deixasse de ser inquilina e construísse sua própria casa. Ela morou, até 1994, em um imóvel alugado na M Norte. “Eu pagava 500 reais de aluguel. Imagina esse dinheiro naquela época? Muito caro!”, conta. Depois disso, ela ocupou um lote na Estrutural, construiu uma casa, e lá está há 21 anos, junto com dois de seus quatro filhos.

A casa de Vânia é feita de tijolos e madeira, sem janelas, e a única porta que tem é a da entrada. Possui cozinha, com geladeira e fogão, que segundo ela, foi presente de um de seus filhos. O quarto dela tem cama de casal e um banheiro improvisado, com chuveiro e vaso sanitário. O que chama a atenção é o mofo pelas paredes, além do ambiente fechado.

Um colchão, cadeiras, televisão e mesa compõem a sala de Vânia. Lá, ela costuma fazer unha de clientes. “Como estou desempregada, procuro ganhar dinheiro como manicure, e até mesmo, depiladora. Assim dá para comprar um sabonete, shampoo, ou o que estiver faltando aqui dentro de casa”, explica. Além das dificuldades financeiras, ela possui problema nos tendões das mãos, impedindo que ela faça trabalhos pesados.

Na parte de trás da residência de Vânia, há madeiras que servem para dividir o seu lote com o do vizinho. “Tenho medo disso cair. Se cair, vai ficar tudo aberto e não sei o que vamos fazer para fechar”, afirma ela, preocupada. Mas, apesar de sua moradia estar em situação precária, Vânia diz que não troca por nenhuma casa alugada. “Se eu desfazer daqui, para onde eu vou? Aluguel é muito caro”, desabafa. O local que ela mora é regularizado, os moradores possuem água e luz, e algumas das ruas são asfaltadas.

Mas cerca de 132 mil famílias não tiveram ainda o mesmo desfecho da vida de Vânia. Esses 132 mil ‘sem-teto’ reprtesentam o tamanho do déficit habitacional no DF, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD), feita pelo IBGE em 2016. No mundo, são 1,2 bilhões de pessoas que não têm onde morar, e no Brasil, 33 milhões, segundo a Organização das Nações Unidas.

São Paulo é recordista no ranking de seis cidades do déficit habitacional: faltam 1,3 milhão de residências. Completam a lista Minas Gerais (575 mil), Bahia (461 mil), Rio de Janeiro (460 mil), Maranhão (392 mil), e por fim Brasília.

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