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Levando a vida

Tom Ford usa seu lado estilista e detona luxo da riqueza fácil

Foto/Divulgação
Carolina Paiva, Edição

Diretor de cinema, dono de uma marca própria com negócios na casa de 1,5 bilhão de dólares (R$ 6 bilhões), estilista e pai de um menino (Jack) de cinco anos, Tom Ford gosta de se manter ocupado. É quase um vício – quando não um alívio – confessa em uma entrevista para a revista Monocle. “Quando trabalho não tenho que pensar em coisas maiores, como ‘Quem somos nós, o que isso significa e quão insignificante é nosso planeta”, diz. “

A vida é menos dolorosa quando você está focando em coisas insignificantes entre o seu nascimento e a morte”, filosofa. “Sempre podemos olhar para um par de sapatos brilhantes e nos sentir melhor por um minuto; borrifar um perfume e pensar ‘alguém vai se apaixonar por mim essa noite!’ Dá um pouco de esperança.”

Na conversa com o jornalista Jamie Waters, ele fala do estado das coisas na moda: comenta o tsunami de streetwear de luxo, analisa como o sexo virou um assunto extremamente delicado e vê com ressalvas a gestão de marcas de luxo tradicionais.

“Acho estranho como as pessoas agora ficam nas marcas por dois ou três anos e depois tudo muda radicalmente”, declara. “Você precisa de consistência e precisa saber que pode esperar um certo visual e uma certa qualidade. Essa é uma das chaves para o sucesso contínuo da Hermès, por exemplo.” “As marcas de luxo têm que ser cuidadosas para se manter luxuosas. Evite a tentação dos ganhos no curto tempo. Jogue no longo prazo”, recomenda.

Sua marca própria, ele não pensa em vender tão cedo. “Gosto de ser meu próprio chefe. Não sou bom com figuras de autoridade querendo me ditar as coisas”, afirma. “A única maneira em que venderia seria vender tudo, incluindo meu nome, e me afastar para fazer filmes”, pondera.

O diretor de Direito de Amar e Animais Noturnos, que esteve à frente da Gucci e da Yves Saint Laurent, é conhecido pela sua afeição ao sexo enquanto ferramenta de marketing. Muitas de suas campanhas, como uma da Gucci em que um moço ajoelhado contempla uma pelve feminina com uma depilação em forma de G, são inimagináveis nos dias de hoje. E ele sabe disso.

“Quando foi que chegamos ao ponto em que você não pode flertar ou elogiar alguém? De muitas formas o mundo está liberal – especialmente nos Estados Unidos. Todos têm permissão para ser quem quiser. Mas, claro, tenho que estar muito consciente quando faço as coisas agora”, fala.

Quanto à informalidade corrente na moda com o advento do streetwear, Ford vê isso como uma coisa natural. “Ternos vão e vem em um intervalo de dez, 15 anos. A reação a todo esse streetwear será – não ainda, acho, mas em uns cinco, sete anos – camisas, gravatas e ternos. Quando os meninos que cresceram nesse ‘momento street’ chegarem aos 25, eles vão querer se vestir melhor e ser glamourosos.”

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