Fuga de cinema, prisão de pedestre
Triste fim de “Policarpo” Ramagem
Publicado
em
Nesta terça-feira, 14, vieram a público os detalhes da operação que levou à prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem, até então foragido nos Estados Unidos. A abordagem ocorreu em via pública, enquanto ele caminhava, e foi executada pelo ICE. A imagem que se desenha é a de alguém que apostou na fuga como estratégia e acabou confrontado pela realidade.
É irônico que, em breve, Ramagem estará sob custódia da Polícia Federal, a mesma instituição onde construiu parte de sua trajetória como delegado. Há algo de profundamente constrangedor nisso. E ele não é caso isolado. O ex-chefe da Polícia Rodoviária Federal, Silvinei Vasquez, também experimentou a queda abrupta: tentou fugir pelo Paraguai e terminou preso, com o rosto coberto, numa cena igualmente humilhante. Dois personagens que, cada um à sua maneira, ocuparam posições de poder e terminaram reduzidos à condição de condenados.
Não se trata de punitivismo, nem de celebração da desgraça alheia. O que está em jogo é algo mais elementar: a responsabilização. Em uma democracia, cargos e fardas não podem servir como salvo-conduto para práticas ilegais. Que ambos sejam responsabilizados por seus atos.