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Os genocidas

Trump e Bibi, perdedores de uma guerra sem fim

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Autor/Imagem:
Antonio Eustáquio Ribeiro - Foto de Arquivo

Após quase cinco meses de uma guerra que Trump e seu aliado genocida Netanyahu afirmaram que duraria poucas horas ou dias chega ao fim, sem estes senhores da guerra alcançarem seus objetivos principais: derrubar o regime dos aiatolás e colocar no governo do Iran um fantoche obediente aos desejos do ocidente, como acontecia nos tempos da ditadura do Xá Reza Pahlavi, antes da revolução islâmica em 1979.

Longe disso. Embora o então líder supremos Aiatolá Ali Khamenei ter sido assassinado, o regime continua e continuará, talvez até mais radicalizado em termos de submissão das leis do país ao primado religioso, uma vez que o sucessor e filho de Khamenei seria ainda mais rígido do que o pai na imposição da interpretação do que diz o Corão, livro sagrado dos muçulmanos.

A medida que os termos do acordo prévio já assinado por Trump e o Iran vêm à tona, se percebe o quão descabida e desnecessária foi esta guerra, pois além de não remover o governo iraniano, o outro objetivo de Trump, que seria acabar com o programa nuclear do Irã, também não foi alcançado, restou apenas uma genérica declaração de que o país persa não desenvolverá armas nucleares, algo presente em acordos anteriores. Ou seja, tudo que Trump e Netanyahu diziam querer não foi alcançado. Daí se pode dizer que EUA e Israel são os perdedores desta guerra sem sentido. Mas, aqui quero falar de outros perdedores que não o seriam se os dois agressores não fossem tão irresponsáveis, inconsequentes e insensíveis.

Falo das vítimas civis e mesmo militares desta guerra desnecessária e sem sentido. O Iran perdeu, o Líbano continua a perder, mas também Israel e os EUA, em menor escala também tiveram suas vítimas fatais, cidadãos que estariam vivos e não nas lembranças doloridas das famílias que os perderam. São pais, irmãos, filhos, esposas, maridos, amigos, enfim, um grande número de pessoas que não precisariam estar passando pela dor de perder um ente querido, ainda mais de forma tão estúpida, promovida por sujeitos que certamente não têm apreço à vida de ninguém.

No Iran foram mais de 1.300 civis mortos (números desatualizados em face da dificuldade de informações), Israel perdeu pelo menos nove civis e dois militares, os EUA perderam pelo menos 13 militares e conta mais de 300 feridos, alguns em estado grave, e ainda, colateralmente, ocorreram vítimas fatais em Omã, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Barhein, Síria e kwait, e ainda um soldado francês no Iraque e três marinheiros indianos no Oceano Índico cuja embarcação foi atacada por forças norte-americanas. E o Líbano continua a contar seus mortos, que já passa de 3.800 até agora com mais de um milhão de deslocados, pois Netanyahu, que a ninguém se submete a não ser a seu desejo cruel e genocida de eliminar uma população inteira, sabedor de que nada lhe acontecerá ao desobedecer acordos firmados por seus parceiros ocidentais, continuará sua matança no Líbano e na Palestina, até porque precisa de uma guerra infinita para não ter suas loucuras julgadas pelo próprio país.

Inúmeras matérias jornalísticas e editoriais pelo mundo afora farão a leitura do resultado do conflito sempre abordando a questão política e geopolítica, alguns em favor dos EUA e Israel outros em favor do Iran. Não desfaço a importância destas análises, mas aqui chamo a atenção para o papel devastador de vidas que se tornou os EUA de Trump e o Israel de Netanyahu.

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Antonio Eustáquio é correspondente de Notibras na Europa

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