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Tsunami varre políticos tradicionais das urnas em Brasília

Foto: Antônio Cruz/ABr
Marc Arnoldi

Jair Bolsonaro com quase 60%, Ibaneis acima de 40, Leila do Vôlei que aposenta Cristovam Buarque, uma Federal só reeleita, uma bancada do DF na Câmara dos Deputados majoritariamente feminina, mais de metade dos Distritais candidatos à reeleição banidos da CLDF… O vento da renovação soprou com força no DF. E foi um tsunami que atingiu políticos e partidos tradicionais em todos os cantos.

Contrariamente a Minas Gerais e Rio de Janeiro, as pesquisas da véspera e as bocas de urna conseguiram captar a dinâmica no DF. Ibaneis ainda cresceu na noite de sábado para domingo, turbinado pelo voto daqueles que “escolhem quem está na frente” e avançando logicamente no eleitorado de centro-direita, desidratando duramente Eliana Pedrosa e Alberto Fraga. Até o General Paulo Chagas ultrapassou a dupla, que chegou a figurar nas duas primeiras posições no meio da campanha.

Rollemberg pôde contar com o Plano Piloto, as duas Asas lhe permitem voar para o segundo turno, vencendo em ambas. No resto do DF, é Ibaneis na cabeça. Rogério Rosso termina na terceira posição graças aos bons resultados em Ceilândia, Samambaia e Recanto das Emas. Segundo turno é nova eleição, dizem, mas a diferença é brutal: são quase 30 % de vantagem para o advogado. Rollemberg e sua rejeição nas alturas terá que sentar com a turminha que ele malhou bastante nos debates, ensacando-os na mesma farinha, para enterrar o machado da guerra.

Pelo menos, o Governador poderá comemorar ter feito melhor que seu predecessor, que não tinha passado da primeira barreira, e se vangloriar de ter criado uma surpresa vitoriosa na corrida ao Senado. Leila Barros (ou será que vai guardar a alcunha “do Vôlei” no salão azul?) formará, com Izalci e Reguffe, um trio de Senadores… diversificado. E certamente está se congratulando não só por sua vitória, mas também por ser em breve vizinha de uma bancada federal inusitada: enquanto a tradição era de um clube quase exclusivamente masculino, o vendaval renovador quase inverteu a estatística: serão cinco damas e três cavalheiros. E quase todos de primeira viagem: só Érika Kokay não precisará limpar as gavetas.

Mas a petista, que se livra de Alberto Fraga, ganhou adversárias tão mordazes quanto o Coronel: Flávia Arruda, Celina Leão e Bia Kicis não jogam no mesmo time que Érika. Particularmente a terceira, uma das surpresas desta eleição, que veio surfando na onda Bolsonaro. Outro nome inesperado: Luis Miranda, que permite ao DEM não perder seu assento pelo DF. O youtuber estadunibrasiliense vai ter que voltar a fixar residência em terras brasileiras, e deixar seus vídeos de dicas americanas para depois. Por sinal, ele tem propostas, em particular no âmbito tributário, que vão causar burburinho na Comissão de Finanças…

Esta nova bancada heteróclita também descobrirá uma Câmara nacional com outros ares: se o PT continua com a maior bancada, os outros partidos tradicionais sentiram o baque. E o PSL aproveita o brilho de seu líder para pular logo para o segundo lugar, com 52 parlamentares, contra 57 vermelhos.

Na Câmara Legislativa, dois terços dos gabinetes vão mudar de dono. Martins Machado (PRB) vai querer o de número 10, merecido por seguir os passos do colega e correligionário Júlio Cesar, obtendo o título honorífico de mais votado. Por pouco, já que o Delegado Fernando Fernandes, até que enfim, chega ao parlamento local, com 27 votos de desvantagem. Atrás da turma peso-pesado dos que sabem fazer campanha, particularmente na hora e no dia certos, aparece de novo o anjinho bochechudo assoprando em todas as direções: José Gomes surpreende no time do Governador, Valdelino Barcelos mostra que soube escolher seu partido desta vez, Daniel Donizet comprova a validade da dupla com Bia Kicis, Júlia Lucy (Novo) e Leandro Grass (Rede) demostram a força de seus grupos respectivos, Hermeto prova que paciência é recompensada, Jorge Vianna esbanja saúde e Fábio Felix permite ao Psol e às diversidades serem representadas.

Nada mal para um eleitorado que poderia ser taxado de conservador a julgar somente o resultado de Bolsonaro, um dos melhores do Brasil. Mas o brasiliense gosta de pregar peças aos analistas simplórios. Destas vez, foi um festival.

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