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Mulher

Tie-dye vira o fenômeno da quarentena

Luiza Leão

A estampa tie-dye se consolidou durante a quarentena como um fenômeno da moda. Resgatada lá dos anos 70, época em que o movimento hippie estava em alta, a estampa adquiriu significado antagônico à liberdade dos “paz e amor” de antigamente e se transformou em roupa de quem estava “preso” dentro de casa.

Por ser fácil de fazer, virou hobby para muita gente – houve até quem ganhasse dinheiro com a venda de camisetas personalizadas. O tie-dye bombou tanto que Larissa Manoela, por exemplo, “vestiu” sua cama de tie-dye, Maisa Silva fez maquiagem tie-dye, Preta Gil pintou as unhas na vibe tie-dye e até marcas criaram coleções de cosméticos inspiradas…

Adivinha só? No tie-dye. Assim como eu, você nem precisou sair de casa para saber que tá todo mundo usando. Bastou uma rápida olhadinha no perfil do Instagram de um amigo, de um famoso, um influenciador ou lojas online para ver diversas pessoas seguindo a tendência do colorido desbotado.

Segundo o personal stylist Marlon Portugal, a estampa tem origem oriental e é datada do século VI, mas sua popularização se deu mesmo com o uso dos hippies americanos, o que fez inclusive com que o tie-dye fosse associado ao movimento. Anos mais tarde, em 1990, a estampa foi revisitada.”As pessoas que eram mais modernas pegaram a estampa por causa das cores. E os anos 90 estão voltando. Não totalmente como era, mas as pessoas revisitam o passado para criar o atual. Há também o movimento de ter mais identidade, de ter o único. As pessoas querem ter coisas exclusivas, dizer que elas que fizeram. Por isso, vão a brechós, compram coisas, repaginam, para ter alguma coisa única ou para dizer que foi ela que fez. E no tie-dye isso é possível”, explica o profissional de moda em entrevista ao Terra.

Uma outra tese usada para explicar o fenômeno que a estampa se tornou aqui no Brasil é a icônica entrada de Manu Gavassi no Big Brother Brasil 20. Na edição deste ano, a cantora chegou ao reality vestindo uma camiseta tie-dye e, entre outras coisas, se tornou um símbolo de moda dentro do programa. “Aqui no Brasil, a gente tem a televisão como principal referência de moda. A gente fica muito limitado. A maioria das pessoas não tem acesso a outras influências de revistas, livros e até internet. Fora do país as pessoas já estavam usando tie-dye antes da Manu Gavassi por causa do street style, a ideia de mesclar uma peça chique a algo do dia a dia. Um salto com um moletom. Mas não duvido que ela tenha exercido certa influência, que se consolidou na quarentena, com a possibilidade de as pessoas criarem”, acrescenta o especialista.

A estampa é fácil de ser reproduzida e dispensa habilidades manuais como o tricô ou o crochê. Não à toa a estudante Manuela Queiroz, de apenas 12 anos, se juntou com uma amiga e criou um perfil no Instagram, o 10colada_colorida_, para vender camisetas na estampa tie-dye a amigos e conhecidos, em Salvador. A dupla já vendeu mais de 40 camisetas, com preços que variam entre R$ 40 e R$ 45 a depender do modelo (marmorizado ou caracol).

“A gente compra as camisetas, os clientes escolhem as cores e o modelo da estampa, e em até uma semana a gente entrega em casa. As famílias apoiaram a ideia, apesar de ficarem em dúvida quanto à entrega. Mas eu acho que fazer as camisetas foi muito legal porque a gente vive experiências novas, cria o próprio hobby e é uma distração para não ficar ligado só no celular”, conta a empreendedora mirim.

Em Campinas, no interior de São Paulo, a boutique Petit Croqui investiu na estampa para a coleção de inverno da loja infantil. O sucesso foi tão grande que a marca precisou pedir reposição e também criou conjuntos para que mãe e filha se vistam com o mesmo modelo. “Com a chegada das férias de julho percebemos a necessidade de termos mais opções por causa da demanda”, detalha Joana Silva, sócia proprietária da boutique multi-marcas.

Para a maquiadora profissional Taise Pimentel, as máscaras de proteção contra o coronavírus podem ter sido um dos principais fatores de migração tie-dye da camiseta para a make. “A gente não pode se inspirar muito no batom, no blush, porque não aparecem. Por isso, os delineados gráficos e sombras coloridas vieram com muita força. As sombras tie-dye nada mais são que sombras coloridas em tons pastéis ou mais fortes que são esfumadas juntas para trazer mais destaque ao olhar. A quarentena fez com que as pessoas assistissem a tutoriais e fizessem challenges no TikTok, o que ajudou a espalhar a tendência”, explica.

Antes da pandemia, o fenômeno das cores na maquiagem já estava engatinhando por causa das referências de maquiagem retrô. “Isso vem dos anos 1990 e 1980. Nos anos 1970 as pessoas eram mais good vibes, usavam cores para fazer pinturas no corpo com formatos de flores. Mas o tie-dye na maquiagem traz uma renovação para o mercado da maquiagem, que está muito saturado”, opina.

Taise acredita que as influenciadoras digitais colaboraram para que as marcas nacionais trouxessem mais novidades em termos de qualidade dos produtos e diversidade de cores. “As blogueiras falavam muito dos produtos que vinham lá de fora. O mercado brasileiro foi estudando, foi incorporando as tendências e aliando elas às blogueiras para que as pessoas tivessem acesso à informação e ao produto. Por isso a gente tem visto um crescimento muito grande, porque as tecnologias estão mais acessíveis”, defende a maquiadora.

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