Apenas
Tu
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Tu e tuas imagens,
Tuas paisagens,
Tuas palavras,
Tua nudez,
Tua luz.
Na escuridão,
Tu.
Escrevo, hoje, qual no tempo jovem,
Mais bobo, ainda.
Atávica embriaguez de fantasias.
Eu podia quase tudo.
Podia ser pintor,
E pintava o teu retrato.
Depois, saia a mil,
Direto, prêt-à-porter, à tua porta.
Atordoado, arrependimento tardio,
Saía correndo para não ser visto,
Talvez, da janela, me visses,
Desabalado sob a chuva,
Absolutamente ridículo,
Esguio feito uma crase.
Podia escrever um poema,
Erótico. E, na arte de artesão,
Entalhar teu semblante numa talha.
No verso, uma dedicatória atroz,
Soberbamente trash,
Mais kitsch que pinguim de frigidaire.
Tempos depois me atordoei,
Sabe-se lá, dor de torpor,
Obter um alfinete em seu diário.
Vitória, mas não conquista
Tanto vapor para um chá.
Sachês declaratórios,
Efusão de dodóis,
Intimidades vexaminosas.
Arrisquei um corolário de pétalas,
Botânico, florilégio de epístolas;
Tratados de eruditas epistemes,
Narrativas de sobrevivente lunático,
Náufrago de idiossincrasias.
De resto, madrugada enluarada, o acidente fingido.
E, de fato, algum idiota gritou:
“Homem ao mar!”.