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O dilema das urnas

Um lado apresenta feitos, o outro esconde o pai

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@donairene13 - Foto Arquivo

As pré-campanhas presidenciais já estão nas ruas, nos bastidores e, sobretudo, nas telas dos celulares. E, como sempre, o jogo político passa inevitavelmente pelas mãos dos marqueteiros, esses arquitetos da narrativa que transformam dados em emoção e biografias em produtos eleitorais. Mas, desta vez, o contraste entre os desafios de cada lado é quase didático. De um lado, há uma campanha que tenta transformar realizações concretas em capital político; do outro, uma que parece mais preocupada em administrar um passivo pesado do que em apresentar um projeto.

Os marqueteiros de Lula têm uma tarefa relativamente clássica: comunicar resultados. Isenção de imposto de renda para quem ganha até 5 mil reais, redução da evasão escolar, queda nos índices de miséria. São dados que, por si só, já possuem densidade política. O desafio aqui não é inventar, mas conectar. Fazer com que essas conquistas cheguem à população não como números frios, mas como melhorias reais de vida associadas diretamente à figura de Lula. É o velho esforço de traduzir política pública em percepção cotidiana.

Já a equipe de Flávio Bolsonaro enfrenta um dilema mais espinhoso: como construir uma candidatura competitiva quando o principal ativo político, o sobrenome Bolsonaro, também é seu maior problema? Não é trivial dissociar a imagem de alguém cujo pai está preso por tentativa de golpe de Estado. Nesse caso, o marketing não trabalha para potencializar virtudes, mas para conter danos, suavizar rejeições e, quando possível, deslocar o foco. É uma campanha que nasce na defensiva, tentando esconder aquilo que, em tese, deveria ser seu maior trunfo. E, em política, começar pedindo desculpas, ainda que de forma implícita, costuma ser um sinal de fraqueza difícil de reverter.

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