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Dr. Leo

Uma única picada de pulga pode causar alergia grave em cães e gatos

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Autor/Imagem:
Leonardo Bernar - Foto Francisco Filipino

Muitos tutores acreditam que as pulgas só causam problemas quando aparecem em grande quantidade no corpo dos animais de estimação. No entanto, para os pets que sofrem de Dermatite Alérgica à Picada de Pulga, conhecida pela sigla DAPP, a realidade é bem diferente e muito mais desconfortável. Nesses animais que têm uma sensibilidade maior, basta apenas uma única picada para desencadear um sofrimento imenso e prolongado.

A DAPP é uma das doenças de pele mais comuns na rotina dos consultórios veterinários e funciona como uma reação alérgica severa. O verdadeiro vilão dessa história não é o inseto em si, mas as substâncias presentes na saliva que a pulga injeta na pele do cão ou do gato no momento em que se alimenta de sangue. Essa secreção ativa o sistema de defesa do animal de forma exagerada, gerando uma coceira desesperadora.

O início da temporada de chuvas, que geralmente combina alta umidade com temperaturas mais elevadas, cria o cenário perfeito para a reprodução rápida desses parasitas. É justamente nesse período do ano que os consultórios registram um aumento expressivo nos casos de alergia. Por isso, entender os sinais do problema é o primeiro passo para garantir o bem-estar e a saúde dos membros de quatro patas da família.

O sintoma mais evidente e preocupante da DAPP é a coceira intensa, que muitas vezes faz o animal interromper suas atividades diárias, como brincar ou comer, para se morder e se lamber. Essa agitação se concentra principalmente na região lombar, na base da cauda, no pescoço, no abdômen e na virilha. O ato contínuo de se coçar machuca a pele e agrava o quadro a cada minuto.

Com o atrito constante dos dentes e das unhas na tentativa de aliviar o incômodo, começam a surgir falhas graves na pelagem, conhecidas como alopecia. Nos cães, é muito comum que essa queda de pelos forme um desenho parecido com um triângulo logo acima da cauda. Além disso, a pele afetada fica visivelmente irritada, apresentando pequenas bolinhas vermelhas, feridas abertas e cascas de machucado.

Em casos mais avançados, o trauma na pele abre espaço para complicações sérias, como os chamados “hot spots”, que são lesões úmidas, avermelhadas, dolorosas e acompanhadas de mau cheiro. O ferimento constante também serve como porta de entrada para bactérias, gerando uma infecção secundária chamada piodermite. Nessa fase, é comum notar pequenas bolhas de pus que estouram e formam crostas pela pele.

Se a doença não for tratada a tempo e se transformar em um problema crônico, o corpo do animal tenta se defender engrossando o tecido cutâneo. A pele do pet nas áreas de coceira frequente começa a escurecer e ganha um aspecto rígido e áspero. Ao menor sinal de qualquer uma dessas alterações, o tutor deve procurar imediatamente a avaliação de um médico-veterinário de confiança.

O diagnóstico preciso só pode ser feito por um profissional, de preferência especializado na área de dermatologia veterinária. Isso porque os sintomas da alergia à picada de pulga são muito parecidos com os de outras doenças de pele e alergias alimentares. Durante a consulta, o especialista vai analisar o histórico de saúde do pet e realizar exames para prescrever o tratamento correto.

É fundamental desmistificar a ideia de que a presença de pulgas está ligada à falta de higiene na casa ou nos cuidados com o animal. Mesmo os pets que tomam banhos frequentes, vivem em ambientes limpos e são vacinados correm o risco de entrar em contato com o parasita. As pulgas ou seus ovos podem ser trazidos da rua colados nas roupas, nos calçados ou nos objetos dos próprios tutores.

Para entender a importância da prevenção, é preciso conhecer um dado impressionante trazido pelos especialistas: apenas 5% das pulgas de uma infestação estão no corpo do animal. Os outros 95% estão espalhados pelo ambiente na forma de ovos, larvas e casulos. Eles ficam escondidos em locais de difícil acesso, como frestas de pisos de madeira, tapetes, almofadas, sofás e nos cantos dos quintais.

Diante disso, a prevenção contra a DAPP deve ser feita de forma contínua durante o ano inteiro, e não apenas nos meses mais quentes. O mercado veterinário oferece diversas opções preventivas eficazes, como comprimidos mastigáveis, pipetas de aplicação na nuca e coleiras antiparasitárias. É essencial que todos os animais que vivem na mesma casa recebam o medicamento protetor ao mesmo tempo.

A segunda parte essencial da prevenção está nos cuidados com a higiene da casa para quebrar o ciclo de reprodução do inseto no ambiente. Os tutores devem criar o hábito de aspirar e limpar com frequência os tapetes, carpetes, sofás e as caminhas onde os animais dormem. Lavar as roupas de cama dos pets e manter o quintal limpo impede que os ovos se desenvolvam e reiniciem o problema.

Quando o animal já está sofrendo com a crise alérgica, o tratamento emergencial foca em aliviar o desconforto imediato e curar as feridas na pele. O veterinário pode receitar medicamentos de suporte, como anti-histamínicos ou corticoides, para cortar o ciclo da coceira. Shampoos terapêuticos específicos também são grandes aliados para acalmar a pele irritada e diminuir a vermelhidão local.

Estudos recentes na medicina veterinária têm destacado o uso de produtos à base de hipoclorito de sódio na terapia de banhos. Esse tipo de tratamento tópico ajuda a fortalecer a hidratação natural da pele e combate micro-organismos sem a necessidade imediata de antibióticos orais. Cada protocolo deve ser montado de forma personalizada, respeitando o peso, a espécie e o nível das lesões do animal.

Cuidar de um pet com alergia exige paciência, disciplina e uma parceria forte com o médico-veterinário para evitar recaídas. Proteger o animal e o ambiente doméstico contra os parasitas é um ato de carinho que devolve a alegria de viver aos cães e gatos. Lembre-se sempre de que a automedicação oferece riscos graves e apenas o profissional sabe indicar o remédio seguro para o seu companheiro.

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