Lula tem fôlego
Usar fraqueza de Biden na disputa é enxugar gelo
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O PL decidiu importar dos Estados Unidos uma estratégia curiosa: o chamado “protocolo Biden”. A ideia é simples: explorar eventuais gafes do presidente Lula para colar nele a imagem de fragilidade associada à idade avançada. Aos 80 anos, Lula passa a ser alvo de uma narrativa que tenta transformar o tempo de vida em incapacidade política. Não é um debate sobre projeto de país, mas apenas uma aposta na caricatura, como se governar fosse um algo possível apenas à juventude.
O problema é que a realidade nem sempre condiz com o planejado. Basta uma rápida navegação pelas redes para encontrar vídeos de Lula caminhando, se exercitando, discursando com clareza e demonstrando energia que muitos políticos mais jovens não conseguem sustentar. A tentativa de colar nele uma imagem de debilidade esbarra justamente naquilo que mais circula hoje: imagens. E imagens, nesse caso, desmentem o roteiro. Não é trivial convencer o eleitor de que alguém ativo, presente e articulado está à beira da incapacidade apenas porque completou mais um aniversário.
Além disso, a estratégia parte de um terreno bastante escorregadio. Neste quesito, Flávio Bolsonaro tem teto de vidro: já protagonizou episódios públicos de evidente nervosismo, incluindo um desmaio em debate eleitoral. No último sábado, 28, voltou a discursar de forma tensa na CPAC, deixando claro que firmeza em público não é um atributo garantido pela idade. Apostar no etarismo como arma política pode sair pela culatra: além de empobrecer o debate, expõe o fato de que vigor físico e político é algo que Flávio Bolsonaro não possui.