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Saúde

Uso de maconha pode prejudicar fertilidade

Foto/Arquivo Notibras
Ludimilia Honorato

Alguns estudos já demonstraram que o consumo de maconha por homens afeta na movimentação dos espermatozoides, fazendo-os nadar em círculos, além de alterar formato e tamanho dos gametas Agora, um estudo publicado no periódico Epigenetics mostrou como isso ocorre. Os resultados apontam para possíveis riscos reprodutivos associados ao uso da droga.

A cannabis é uma das drogas psicoativas mais amplamente usadas, sendo os homens a maioria dos consumidores. O uso da maconha decai com a idade, mas ainda é representativo durante a idade reprodutiva.

Após avaliações, 24 homens, entre 18 e 40 anos, concluíram o estudo, sendo 12 deles usuários de maconha e os outros 12, não. Com as análises, foi identificado que o princípio ativo da cannabis, o tetra-hidrocarbinol (THC), provoca mudanças no DNA do espermatozoide. Além disso, o uso da droga foi associado a uma concentração significativamente menor de espermatozoides comparado com os não usuários.

Paulo Gallo, especialista em reprodução humana e diretor médico do Vida – Centro de Fertilidade, explica que o espermatozoide carrega o DNA masculino que vai formar o embrião. Durante o processo de formação do gameta, qualquer substância no sangue vai agir sobre esse material.

Segundo o estudo, a interferência ocorre durante a metilação do DNA, que é o amadurecimento dele. Se alterado, ocorre uma fragmentação das moléculas. “Com moléculas mais quebradas, há menor capacidade de fertilizar um óvulo. Quando o homem usa maconha, as substâncias são absorvidas e vão para a circulação sanguínea. Pelo sangue, o THC chega às células produtoras de espermatozoides”, diz o especialista.

O estudo, porém, tem algumas limitações. Uma delas é que a amostra é pequena, o que impede generalizações. Outra é que há uma gama de fatores potenciais que podem afetar a metilação do DNA, mas que não foram considerados no estudo, como estilo de vida, condições físicas, dieta, qualidade do sono e consumo de álcool.

Quanto à concentração, o médico explica que, em condições normais, o ideal são 15 milhões de espermatozoides por mililitro, sendo que 30% deles devem ter boa morfologia e 32% boa motilidade, que é a capacidade de se mover e ter direção. Conforme o DNA dos gametas são afetados, essas características se perdem. Outro problema que pode decorrer do uso da maconha é a disfunção erétil, mais conhecida como impotência sexual.

Porém, o comprometimento da fertilidade é relativa. Alguns homens podem ter, naturalmente, concentrações maiores de espermatozoides, cuja produção é contínua. “Leva 72 dias para formar um espermatozoide. Em homens com produção ótima, mesmo que fume [maconha], não haverá problemas”, diz Gallo.

O contrário também é válido. “Homem com produção levemente deficiente, mas com limite inferior à normalidade, tem chance maior de ficar infértil se usar maconha”, afirma o especialista. Caso o homem queira ter filhos, o ideal, segundo Gallo, é ficar de três a seis meses sem consumir a droga “Geralmente, reverte, mas nem sempre.”

O estudo internacional aponta que ainda é incerto se as mudanças na metilação do DNA são capazes de passar do homem para os filhos. Gallo diz que “talvez” o processo cause mutações genéticas que são transmitidas para a geração futura.

Outros estudos veem pouca associação entre o uso de maconha por homens e mulheres e taxas de fecundidade. A maioria, porém, indica questões negativas. Uma pesquisa de universidades norte-americanas mostra que o tempo médio para concepção foi significativamente menor nas mulheres que usaram maconha regularmente do que para aquelas que nunca usaram a droga.

Soma-se a isso o fato de que a maconha diminui a libido e que, se o consumo se acumular ao longo dos anos, as consequências podem se agravar. Até mesmo usuárias ocasionais podem ter sua fertilidade reduzida devido à ovulação anormal.

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