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Flávio, Tarcísio etc etc

Vencedor sempre deixa embaraços para trás, desata o nó e faz um laço

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Autor/Imagem:
Wenceslau Araújo - Foto de Arquivo/Valter Campanato

Nunca duvide da força de uma pessoa que sobreviveu ao Merthiolate, ao Óleo de Fígado de Bacalhau, à vacina de pistola, à Benzetacil e, principalmente, às Havaianas voadoras, à vara de marmelo, às balas Soft e ao Biotônico Fontoura. Para quem foi um genro casado com uma mulher cuja mãe se metia em tudo, que já escreveu horóscopo e decifrou receitas de bolo, nada como um espaço democrático e de boas conversas para se encontrar a solução de qualquer coisa, inclusive a insanidade. Isso é Notibras, ambiente profissional, de amizade sincera e ideal para eu materializar minhas extensões libertinas, porém sérias.

Como um desses que escreve o que pensa, mas não pensa no que escreve, me imagino dando vez e voz àqueles ou àquelas que um dia podia ter sido. Adepto de todas as improváveis e indecifráveis teses, comumente recorro às teorias dos pensadores. Apesar de nada belicista, uma delas é minha defesa diária. E qual é? É minha mente, idêntica a uma guarita fechada e câmeras a 360 graus. Com esse aparato, consigo abater qualquer inimigo ainda na porteira.

Nesse estranho e glamouroso país chamado Brasil, o fundo do poço realmente é apenas uma etapa. Por isso, nunca subestimo o poder de um vencedor determinado. Não sou um desses, mas sempre achei que vencer na vida não é somente cruzar a linha de chegada, mas aproveitar cada passo antes disso. Pragmático e pouco afeito à perda de tempo, nem sempre me amedronto com eventuais embaraços. Pelo contrário. De cara com eles, normalmente desato o nó e faço um laço. Não faço piada com coisa séria, mas transformo em brincadeira tudo que me contam com duvidosa seriedade.

Por exemplo, depois de negar publicamente e para ele mesmo que não conhecia o banqueiro Daniel Vorcaro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi traído pela própria voz e está prestes a desaguar no oceano das incertezas. Como acreditar em quem mente jurando estar falando a verdade? Exatamente como fez o governador Tarcísio de Freitas que, após jurar que não queria a Presidência da República, decidiu se dedicar plenamente ao trabalho pela reeleição. Flávio havia prometido virar o Brasil de ponta cabeça. Tantas ele fez, que acabou sem a cabeça. Em São Paulo, como suposto bolsonarista raiz, Tarcísio tem se apresentado como um “fazedor” de obras.

Uma pena ele não ter convivido com o costureiro Clodovil nos tempos dele deputado federal. Fosse vivo, certamente Clodovil teria contribuído com emendas para a extensão do Minhocão ou, quem sabe, para a ampliação do Rodoanel dos paulistas. Clodô para os íntimos, o estilista partiu antes de descobrir que o mundo político não é tão ruim como pintam. O problema é que faz alguns anos ele está muito mal frequentado. Tanto que, em um passado remotíssimo, alguns pseudos poderosos tentaram calar as urnas, obrigando o povo a levantar a voz mais alto do que o golpismo imaginou.

Considerando que a única pessoa realmente livre é a que não tem medo do ridículo, falo inclusive – e sem ressalvas – de minhas angústias pessoais. É apenas uma questão de ponto de vista, mas só descubro até onde posso ir quando já fui. Por isso, chupo manga sem me preocupar com o fiapo e não tenho desassossego algum com meus baixos níveis de testosterona. O que fazer? Nada além de me divertir com a situação e informar à patroa que o sexo em casa acabou.

Diante de sua provável incredulidade, só me restará notificá-la de que, apesar de ela ser um doce de pessoa, terei de me abster por causa da diabetes. Na verdade, a história é bem diferente. Na batalha da alcova, estou igualzinho à Coca-Cola. Inicialmente eu era normal, depois passei a ser light e agora sou zero. É a vida. Ou nos acostumamos ou viramos o disco. Se cuidem Flávio de Freitas e Tarcísio Bolsonaro. Errei, mas como são todos iguais, errei acertando.

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Wenceslau Araújo é Editor-Chefe de Notibras

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