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O plano infalível do pré-candidato

Vende-se o Brasil, paga-se o salário do Zema

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@donairene13 - Foto Arquivo

As declarações do agora pré-candidato à Presidência Romeu Zema soam como um roteiro já conhecido: privatizar a Petrobras, vender o Banco do Brasil e cortar privilégios de uma suposta elite intocável em Brasília. O pacote é apresentado com linguagem dura, performática, como se bastasse “passar a faca” para resolver problemas complexos do Estado brasileiro. É um discurso que aposta na indignação popular, mas que simplifica temas complexos e ignora nuances importantes sobre o papel dessas instituições na economia e na sociedade.

Quando um candidato entra na disputa já sem grandes perspectivas eleitorais, a tentação de radicalizar o discurso cresce. Promessas que, em um cenário mais competitivo, talvez fossem calibradas, passam a ser feitas sem freio, justamente porque não precisarão ser cumpridas. Falar em privatizações amplas e cortes profundos pode até render manchetes e aplausos pontuais, mas carece de detalhamento sobre impactos sociais, econômicos e institucionais. Toda essa falação é, portanto, apenas um exercício retórico e não um projeto consistente de governo.

No caso específico de Zema, há um elemento que fragiliza ainda mais essa narrativa: o contraste entre discurso e prática. Durante sua gestão em Minas Gerais, o próprio governador aprovou um aumento expressivo do seu salário, na casa de quase 300%. Quando alguém que se apresenta como combatente de privilégios se beneficia diretamente de um reajuste dessa magnitude, o discurso perde credibilidade. Afinal, quem promete enfrentar privilégios precisa demonstrar que não faz parte deles.

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