Manto profundo
Véu da noite
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Como um manto profundo, vieste sem aviso,
trazendo contigo o silêncio que rouba o canto da esperança.
Mistério sagrado, loucura serena,
enche-me de espanto como nenhuma outra presença.
Não és digno de mim, e ainda assim me cercas,
grito oculto, sombra sem tempo,
nuvens cinzentas que cantam em desalento,
afasta-te de mim, pois roubas-me alegria,
deixas-me em lágrimas,
como noite que não conhece aurora.
Recuso-me a ser tua morada,
não aceito teu abraço de trevas,
pois no fim da estrada há luz,
há esperança que resiste,
mesmo quando o vento cala o canto.
Luto incansavelmente pela vida,
pelo canto do rouxinol em meus sonhos,
pela chama que insiste em arder,
mesmo quando o tempo se arrasta lento.
Manto escuro, tu me envolves,
mas não me vences.
Eu te rejeito, e ainda assim,
te reconheço como parte da travessia.
Pois cada sombra que me cobre
é também prova de que resisto,
e cada abraço da noite
me prepara para o amanhecer.