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Brasil

Voto laranja pode derrubar Jair Bolsonaro

Pretta Abreu

Mal assessorado e com experiência política bizarra adquirida como representante do baixo clero em toda a sua carreira na Câmara dos Deputados, o presidente Jair Bolsonaro deu um tiro no pé ao bradar aos quatro cantos, na sexta, 11, que iria exigir uma devassa nas contas do PSL – partido que ele praticamente ‘alugou’ com dinheiro de empresários provincianos para disputar o Palácio do Planalto.

Agora o PSL deu o troco. E decidiu, horas depois o intempestivo ataque de Bolsonaro,  pedir uma auditoria nas contas da campanha presidencial. A briga é tão séria, segundo um dirigente da própria legenda, que pode deixar as vísceras do PSL à mostra.

Velhas raposas acostumadas a engolir galinhas mortas no Congresso Nacional, avaliam que o combate já começou e que a guerra não tem retorno. De um lado, Bolsonaro e seu pequeno grupo de até 20 parlamentares; de outro, Luciano Bivar, presidente do partido, e a grande maioria de deputados e senadores que o cercam.

De fora, jogando lenha na fogueira e municiando o grupo que decidiu partir para o ataque, está Gustavo Bebiano, dono de um arsenal de informações. Hoje desafeto do presidente, ele presidiu o PSL durante a campanha, virou ministro e foi o primeiro a ser demitido do cargo, após intrigas supostamente alimentadas por Flávio (senador), Eduardo (deputado) e Carlos (vereador), todos filhos de Bolsonaro.

Dirigentes do PSL dizem que não vai haver recuo no pedido de auditoria nas contas da campanha presidencial. A investigação deve ficar a cargo do Tribunal Superior Eleitoral, com colaboração efetiva do Ministério Público Eleitoral e da Polícia Federal. A ‘turma do deixa disso’ está tentando baixar a temperatura, mas Luciano Bivar (atingido moralmente pelo presidente) e seus seguidores prometem avançar e abrir uma caixa preta guardada a sete chaves.

O maior temor do Palácio do Planalto é que os inquéritos sobre candidaturas laranjas respinguem na auditoria. Se isso acontecer, vai aparecer empresário que abasteceu a campanha presidencial com bem mais dinheiro do que aquele declarado oficialmente. Além disso, suspeita-se que recursos dos ‘laranjas’ do PSL mineiro tenham servido para semear os votos que encheram as urnas com o número 17.

Até onde a briga vai, ninguém sabe. Mas o estopim da crise está aceso. E se a bomba de fato explodir, pode ter como consequência a cassação do mandato de Bolsonaro.

 

 

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