Peter, Bjorn and John, uma agenda boa para paulistas

Pedro Antunes

É batata: no universo alternativo, o sucesso pode trazer narizes tortos dos puristas. O som pode – e isso não significa ser uma regra – se tornar mais palatável, menos esquisito ou bagunçado.

Depois do sucesso da assobiável e solar Young Folks, em 2006, o trio sueco Peter, Bjorn and John fechou a cara e aprofundou seus versos numa melancolia contemplativa. Tudo para deixar o hype para trás e voltar ao “indie”. A versão de 2017 da banda, que no ano passado lançou o popíssimo Breakin’ Point, enfim aceitou que ser compreendido por um maior número de pessoas, mantendo-se a essência, é o melhor negócio.

E é essa nova versão que o trio mostrará em São Paulo na terceira visita à cidade. Peter, Bjorn and John e Parquet Courts são as atrações do último fim de semana do The Art of Heineken, uma festa/exposição iniciada em 2 de fevereiro, que propõe atividades sobre a cervejaria e shows aos sábados e domingos.

“Ouvimos muita música do final da década de 1970 e início dos anos 1980. Era muita coisa dançante”, justifica também Bjorn Yttling, baixista da banda. Músicas de Breakin’ Point preencherão o set da banda, mas o músico garante o que, em 2011, na última vez que vieram ao Brasil, era uma incerteza: “E nós vamos, sim, tocar Young Folks”.

Os suecos assumem o pop, enquanto o Parquet Courts, banda que despontou com rock sujo, guitarras vagarosas e letras sobre fumar maconha e sentir fome, entendeu a maturidade com a chegada dos 30 anos. Ao deixar a sujeira bagaceira no passado, o grupo do Brooklyn, Nova York, refinou sua pontaria com Human Performance, o quinto trabalho em seis anos.

Embalados por esse trabalho, o grupo ainda mostra canções dos discos anteriores, mas tudo ganha uma versão mais palatável, sem perder a euforia punk. Perderam-se, sim, a imprecisão que sujava e atrapalhava a banda a chegar a públicos mais amplos. “Acho que isso tem a ver com a idade”, diz Andrew Savage, voz e guitarra. “Éramos meninos. Agora somos adultos.”

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