Humorismo

Zorra Total tira os velhos clichês do ar e ataca viés político

Gabriel Perline

A mudança do humor apresentado no programa “Zorra Total” foi drástica. Se antes as situações bizarras reforçadas pela claque forçavam o riso, a nova geração sofisticou a piada. E algumas eram inteligentes demais, porém pouco engraçadas. Esta constatação levou o trio de roteiristas a mudar alguns detalhes nesta temporada.

“O conteúdo é sempre a grande estrela”, destaca Gabriela Amaral. “Estamos tendo melhorias estéticas, aprofundando o diálogo com a direção. No passado, fizemos cenas mais inteligentes que engraçadas. Neste ano, os esquetes estão mais engraçados. E estamos aproveitando mais os talentos dos atores, sem medo de suas performances, permitindo até um pouco do exagero. Tínhamos um pouco de receio até por causa do Zorra antigo, que exigia o exagero do elenco.”

Outra mudança que ocorrerá ao longo da temporada é a chegada de personagens, característica marcante da antiga versão, que aparecerão de maneira recorrente. “Usaremos com alguma parcimônia. Se o personagem for legal e render, ele poderá voltar. Não será fixo. Mas se ele nos serve para contar determinadas coisas, ele volta. O Tá no Ar tem alguns personagens, mas vai muito além”, diz Melhem.

Um dos personagens que vão aparecer com certa frequência é o “porta-voz do presidente Michel Temer”. “O pronunciamento dele (Temer) no Dia Internacional da Mulher era um verdadeiro roteiro de esquete. Por causa desses disparates do nosso presidente, criamos um personagem que é o porta-voz do presidente. O coitado deve ficar desesperado o tempo todo tentando corrigir as besteiras que o cara fala. A partir da observação de um fato real, a gente foi imaginando como aquilo deve cheirar entre os seus assessores, que tentam consertar as besteiras e justificar o injustificável”, explica Taddei.

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