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Curiosidades

Após missão inédita, Philae perde fôlego e corta contato com a Terra



O robô Philae enviou na noite desta sexta-feira mais dados científicos do cometa no qual pousou, antes de concluir sua missão histórica, por falta de energia em suas baterias, informou a CNES, a agência espacial francesa.

Philae, que chegou na quarta-feira ao cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, a mais de 510 milhões de quilômetros da Terra, “vai se apagar em breve” por falta de energia, revelou a CNES, precisando que a conexão já foi cortada.

“Já não estamos recebendo dados. Perdemos o contato”, declarou Philippe Gaudon, chefe do projeto Rosetta no CNES em Toulouse, no sul da França. “Mas Philae seguirá funcionando até a descarga completa de sua bateria”, o que deve ocorrer às 02h00 GMT (24h00 Brasília).

Nesta sexta-feira, o robô conseguiu uma proeza, ao realizar uma rotação que deverá permitir captar mais luz nos seus painéis solares nos próximos meses, a medida em que o cometa avance em direção ao Sol.

Isto permitirá, supostamente, que Philae saia de sua “hibernação” no mês de agosto, enviando as informações acumuladas, segundo Gaudon.

Antes de perder contato, Philae enviou “dados científicos do cometa P67” nesta sexta, revelou a Agência Espacial Europeia (ESA). “O contato chegou mais tarde que o previsto. Será que eu me mexi um pouco?” – ‘perguntou’ o robô em sua conta no Twitter.

A outra boa notícia dia foi que o robô fez uma perfuração de 25 centímetros no solo do cometa, mas não é possível saber se obteve uma amostra da superfície, em sua corria contra o tempo.

Levando a bordo baterias com 60 horas de duração, o robô quicou duas vezes após o pouso na quarta-feira, posicionando-se em uma fissura em localização desconhecida, em uma área de sombra. O ponto impediu sua exposição à luz solar e a alimentação das baterias, o que permitiria estender a missão.

Apesar do problema, o robô, do tamanho de uma geladeira e com 100 quilos de peso, conseguiu enviar imagens fascinantes e dados da primeira exploração humana “in situ” de um cometa. Os cientistas encarregados da missão comemoraram o feito, orgulhosos.

Todos os 10 experimentos de bordo foram postos em ação – incluindo o acionamento da broca para coletar uma amostra subsuperficial do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, que segue na direção do Sol a 18 km/seg.

Os dados foram retransmitidos à sonda Rosetta, que segue na órbita do corpo celeste.

Uma amostra da perfuratriz está entre os resultados mais esperados da missão Philae, pois os cientistas esperam que o material dê pistas sobre a formação do Sistema Solar, 4,6 bilhões de anos atrás, e até mesmo do aparecimento da vida na Terra.

Philae pousou no cometa, que tem baixa gravidade, após uma angustiante descida de 7 horas e 20 km, após se desacoplar da sonda Rosetta, a bordo da qual viajou por mais de uma década, percorrendo um total de 6,5 bilhões de quilômetros.

O pouso não correu totalmente como o planejado, pois a ativação dos dois arpões do robô, que deveriam prendê-lo na superfície do cometa, não funcionou e a máquina decolou novamente duas vezes.

Sua localização permanece um mistério, mas os dados e fotos que transmitiu indicaram que provavelmente está no ângulo de uma fissura, à sombra de um declive, a cerca de um quilômetro de onde tocou a superfície pela primeira vez.

Além da sua bateria principal, o robô foi equipado com painéis solares para realizar uma recarga potencial, mas em sua escura localização, apenas um painel solar recebia cerca de 80 minutos de luz solar por 12,4 dias no cometa, e os outros dois, 20 ou 30 minutos – muito menos do que as seis a sete horas com as quais os engenheiros contavam.

Quando o robô, eventualmente, entrar em hibernação, ainda há a chance de que Philae possa ser trazido de volta à vida nos próximos meses, quando o cometa “67P” chegar mais perto do Sol, afirmam controladores em solo. Então, ele será capaz de transmitir os incríveis dados que coletou.

A equipe encarregada da dupla Rosetta-Philae já se diz eufórica com os resultados.

“Vamos parar de olhar para o que nós poderíamos ter feito, se tudo tivesse funcionado adequadamente”, disse o diretor de operações de voo, Andrea Accomazzo.

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