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Coleta seletiva de lixo vira mais uma sujeira no governo de Agnelo

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O Palácio do Buriti está gastando milhões de reais em publicidade para promover sua campanha de coleta de lixo seletivo. Mas tem gente ganhando dinheiro extra, vendendo gato por lebre. As denúncias que começam a aparecer fazem da torrente que Carlinhos Cachoeira derramou sobre Agnelo Queiroz uma gota d’água no atual quadro.

Os catadores de lixo estão inconformados, revela reportagem do G1. O lixo seletivo é pago em duas modalidades. No caso do orgânico, a tonelada é um preço; o reciclável, três vezes mais caro. É aí que aparece o jeitinho vantajoso: mistura-se tudo e a fatura apresentada é sempre maior.

As cooperativas de material reciclável de lixo reclamam que, após o início da coleta seletiva, há três semanas, as empresas responsáveis pelo serviço passaram a entregar lixo orgânico como se fosse reciclado. As empresas recebem mais pela coleta seletiva – R$ 176 por tonelada de lixo reciclável. Para o lixo orgânico, o Serviço de Limpeza Urbana (SLU) paga R$ 68 por tonelada.

Veja trechos da reportagem do G1:

De acordo com as cooperativas, até 80% do volume coletado contêm restos de comida e animais mortos – já foram encontrados macaco, gambá, sapo, cobra e cachorros em meio ao material que deveria ser reciclado. Até dois filhotes vivos de gato foram retirados do lixo limpo.

O material orgânico entregue nas cooperativas é coletado pelas empresas CGC, Quebec e Valor Ambiental. Todo o resíduo é pesado e depois levado para 32 cooperativas cadastradas no SLU. A Valor Ambiental não quis comentar o assunto. A Quebec disse que apenas faz a coleta e atribuiu aos moradores a falta de separação do lixo.

O diretor do SLU, Gastão Ramos, afirmou que as empresas que recolhem o lixo orgânico junto com o reciclável estão sendo notificadas pelo órgão. Segundo ele, uma delas já foi multada em 20% do valor do contrato. O diretor não disse qual foi a empresa penalizada, nem o valor da multa.

Ramos disse que todo o lixo orgânico despejado nas cooperativas é recolhido por um caminhão e levado depois para o Lixão da Estrutural, onde os resíduos são novamente pesados. Segundo ele, o peso é descontado do valor pago às empresas pela coleta realizada de lixo limpo.

O diretor disse que a mistura do lixo orgânico ao limpo é em parte culpa dos moradores do DF. “Isso está acontecendo porque a própria população está colocando o lixo orgânico [no lugar do reciclável]”, disse.

Ramos afirmou que as empresas não têm deixado bilhetes para os moradores que não separam o lixo, como ele havia afirmado que seria feito quando o serviço foi lançado. “Começamos a fazer, mas a repercussão não foi boa”, disse. “[Havia] Muita gente dizendo que as empresas não queriam trabalhar. Temos é que melhorar a conscientização da população.”

Segundo ele, o SLU não pretende multar quem não fizer a separação correta do lixo para não criar “antipatia” com a população. Ele afirma que vai intensificar as campanhas de publicidade para informar os moradores sobre como fazer o descarte correto do lixo.

O presidente da Cooaptiva, José Avelar, diz estar decepcionado com o material deixado pelos caminhões da coleta seletiva. “Se essa bagaceira que trouxeram pra cá é coleta seletiva, eu não quero não”, disse. “De 2,9 mil quilos de lixo que a coleta seletiva deixou aqui, não sei se dá para aproveitar 400 quilos.Tem pó de café, resto de comida. Nada disso a gente usa.” A cooperativa é formada por catadores e carroceiros que coletam lixo reciclável no SIA.

O galpão do Centro de Reciclagem do Varjão, que antes funcionava de espaço para as catadoras fazerem a triagem do material seco para depois vendê-lo, foi tomado por uma montanha de lixo. As trabalhadoras passaram a conviver diariamente com o chorume, o mau cheiro e as moscas.

“Antes, apenas separávamos os diferentes tipos de lixo reciclável para depois vender. Agora, gastamos horas para encontrar algo aproveitável no lixo que chega nos caminhões”, disse a catadora Sandra de Sousa Oliveira. “Chega lixo de cozinha, cocô de cachorro, fraldas, restos de poda de jardim. Só semana passada chegaram três cachorros velhos mortos. Até um sapo vivo dentro do saco.”

“Estamos muito decepcionadas. Pensamos que ia ter mais renda, mas fez foi cair a renda. Trabalhamos o dobro agora”, disse a catadora Jandira Rosa. “Isso diminuiu a nossa renda. Antes, tirávamos até R$ 500. Agora, talvez R$ 250. Mas temos que trabalhar. É o nosso sustento.”

Na semana passada, dois caminhões do SLU estiveram na cooperativa para levar para o Lixão da Estrutural resíduos orgânicos despejados junto com o lixo limpo. Ao mesmo tempo, um novo carregamento de 1,5 tonelada de lixo misturado era despejado por uma das empresas que faz a coleta. Outro carregamento de 1,8 tonelada, já havia sido deixado pela manhã para as catadoras.

“Ninguém quer botar a mão nisso aí”, disse a catadora Gabriela Rodrigues. “Nós não mexíamos com lixo. Agora olha a situação.”

No Riacho Fundo, a situação é a mesma. Na semana retrasada, a Cooperativa 100 Dimensão recebeu dos caminhões da coleta seletiva um cachorro morto, uma galinha depenada e dois filhotes de gatos, ainda vivos. O local também estava tomado pelo mau cheiro e pelo lixo.

“Isso nunca foi assim. Nunca tivemos que mexer no lixo orgânico”, disse a presidente da cooperativa, Sônia Maria.

Enquanto a reportagem esteve no local, um caminhão da coleta seletiva despejou dezenas de sacos de lixo no terreno. Ao constatar que a maior parte dos resíduos era orgânico, a presidente exigiu que o motorista levasse de volta o lixo. O motorista, no entanto, foi embora sem dizer nada. Pouco depois, um caminhão da coleta convencional passou na cooperativa para levar o lixo orgânico, que já havia sido descartado pela catadora.
“A gente já faz nossa rota e depois tem que vir buscar o lixo que a coleta seletiva traz”, disse o motorista, que não quis se identificar.

Da Redação com o G1

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