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Rio

Com salários atrasados, PMs reformados pedem para almoçar no batalhão da Ilha



Bruna Fantti

Na frente de um quadro com a inscrição ‘galeria dos heróis’, sete policiais militares aposentados posaram para uma foto, na segunda-feira. No entanto, não se tratava de uma homenagem. Aqueles que serviram por anos à corporação seguravam pratos vazios. Não tinham o que comer em casa e por isso pediram para almoçar no batalhão.

“Ainda estou sem o meu pagamento de março. Tenho quatro filhos para sustentar e estou vivendo de doações de cestas básicas de familiares”, disse ao DIA o subtenente Jorge Lourival, de 53 anos.

Ao todo, o grupo tinha 12 policiais militares e pediu para se alimentar no refeitório do Batalhão de Polícia Militar da Ilha do Governador. Todos são moradores do bairro e alegaram falta de dinheiro para alimentação.

Um representante da Comissão de Direitos Humanos da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) acompanhou o pedido dos policiais. “Fomos retratar a situação deles. O governo está atrasando salários e o resultado é esse. Agentes que serviram durante anos sem ter o que comer”, afirmou Vinícius George, assessor da comissão.

Os policiais fazem parte do grupo de servidores do estado que está com os salários mais atrasados. O governo planejava pagá-los somente em maio, mas a esperança de que o dinheiro caia nas contas antes surgiu com uma liminar da Justiça expedida no último dia 18. O governo e o Rioprevidência têm até essa quarta-feira, dia 20, para pagar cerca de 137 mil aposentados e pensionistas. A sentença prevê o arresto de quantia de R$ 1,07 bilhão nas contas bancárias dos réus (leia: o Estado vai recorrer, na página 15).

“Estou esperando o dinheiro cair. O comandante do batalhão (Odair Santo Blanco) nos deixou almoçar, mas não permitiu que duas esposas de dois colegas fizessem o mesmo. O rancho é só para militares”, contou Lourival.

Enquanto se alimentavam, um dos policiais chorava. A situação foi filmada pelos agentes e, o vídeo, postado nas redes sociais.

“Chorou pois enquanto comia sabia que sua família passava fome. É esse o tratamento que temos após anos de serviço”, disse Jorge Lourival. A PM não se posicionou sobre o ocorrido.

“Filho não tem o que comer”

Um policial aparece chorando em filmagem que circulou nesta terça-feira na internet. No vídeo, a pessoa que filma narra a situação. “Hoje ele está almoçando mas o filho não tem o que comer. É isso que nós temos que mostrar. O governador nos deixou nessa situação”. O companheiro seca as lágrimas, enquanto confirma com a cabeça. A filmagem causou indignação. Comandantes de outros batalhões afirmaram que autorizaram os reformados a se alimentarem nas unidades.

Alerj vai doar R$ 4 milhões para PM

A Alerj vai doar R$ 4 milhões à Polícia Militar a pedido do Ministério Público Estadual. A verba vai custear a alimentação de alunos e professores do Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças, que teve sua carga horária reduzida em 50% devido à redução na alimentação, o que poderia atrasar a formação de novos policiais.

Vai ajudar no cumprimento de um Termo de Ajustamento de Conduta firmado entre Governo do Estado e Ministério Público, em que o Executivo se comprometeu a melhorar as condições de trabalho dos agentes.

O DIA

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